Mercados resistem à escalada geopolítica
Os receios de perturbações nas principais rotas de abastecimento energético impulsionaram o petróleo e reacenderam preocupações com a inflação global. Apesar da incerteza geopolítica, as bolsas encerraram a semana em terreno positivo.
Na última semana, a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, bem como a ameaça de os Houthis bloquearem o tráfego marítimo no Mar Vermelho, intensificaram os receios quanto à segurança do abastecimento energético global, impulsionando os preços do petróleo.
Neste contexto, até quarta- feira, o Brent, referência para as exportações angolanas, valorizou mais de 11%, para 94,35 dólares por barril, enquanto o WTI avançou 10,49%, para 87,66 dólares.
A gasolina acompanhou a mesma tendência, com uma valorização semanal de 17,48%. Os mercados accionistas mantiveram-se resilientes, apesar do agravamento da incerteza geopolítica e da subida dos preços da energia. Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou 0,69% na semana, impulsionado pelas expectativas em torno da inteligência artificial, embora persistam dúvidas quanto à capacidade de os elevados investimentos no sector se traduzirem em retornos suficientes.
Na Europa, o sentimento manteve-se igualmente favorável, com o Euro Stoxx 600 a valorizar 0,66%, enquanto o DAX alemão, o CAC francês e o IBEX espanhol avançaram 1,35%, 1,07% e 1,50%, respectivamente. Na Ásia, os mercados beneficiaram das expectativas de intensificação das medidas de estímulo na China, nomeadamente no sector imobiliário e no investimento público em infra-estruturas, bem como da recuperação do sector tecnológico. Neste contexto, o Shanghai All Share valorizou 2,73% e o Nikkei japonês ganhou 3,08%.
Nos mercados de matérias- -primas, o reforço da procura por activos de refúgio contribuiu para a valorização dos metais preciosos, com o ouro a avançar 1,64%, para 4 119,30 dólares por onça, e a prata 1,43%. Entre as matérias-primas agrícolas, o trigo (+6,12%), o milho (+3,85%) e a soja (+2,85%) também registaram ganhos, impulsionados por preocupações relacionadas com a oferta global e as condições de produção em algumas regiões agrícolas.
Por fim, no mercado cambial, o par euro/dólar recuou 0,08%, para 1,14 dólares por euro, reflectindo a apreciação da moeda norte-americana, num contexto em que os investidores reforçam as expectativas de que a Reserva Federal dos Estados Unidos aumente as taxas de juro em 25 pontos base, por duas vezes em 2026











