Negociações EUA-Irão aliviam crude
Petróleo recua com menor prémio de risco no Médio Oriente, acções caem com sector tecnológico, dólar valoriza com FED mais hawkish e metais preciosos perdem mais de 6% devido a política monetária mais restritiva e dólar forte.
Nos últimos 7 dias, o mercado petrolífero foi marcado pela redução do prémio de risco associado ao conflito no Médio Oriente. Até à última quarta-fei ra, o Brent, referência para as exportações angolanas, desvaloriza cerca de 4,28%, para 75,58 dólares por barril, enquanto o WTI recuava 5,54%, para 71,84 dólares por barril, aproximando-se dos níveis registados antes do início da guerra.
Esta evolução reflecte os progressos nas negociações entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão para um acordo de paz e a gradual normalização do tráfego marítimo no estreito de Ormuz. Adicionalmente, os preços foram pressionados pelas expectativas de recuperação da oferta, com o regresso gradual da produção nos países do Golfo Pérsico e pela autorização temporária concedida pelos EUA para que o Irão retomasse parte das suas exportações de petróleo durante o período de 60 dias de negociações.
Nos mercados accionistas, os principais índices registaram perdas no acumulado da semana. O Euro Stoxx 600 recuou 0,15%, enquanto o S&P 500 desvalorizou 1,08%. O desempenho foi condicionado por uma correcção no sector tecnológico, num contexto de crescente preocupação com as elevadas valorizações das empresas ligadas à inteligência artificial.
Na Europa, as perdas foram parcialmente compensadas pela procura dos sectores imobiliário, saúde e alimentação, enquanto a evolução das negociações entre os Estados Unidos e o Irão contribuíram para manter alguma cautela entre os investidores.
No mercado cambial, o dólar norte-americano valorizou em comparação com as outras moedas fortes, com o índice Bloomberg do dólar a avançar cerca de 2,16%, para 101,69 pontos, enquanto o euro desvalorizou 2,31% face ao dólar, negociando em torno de 1,13 USD.
O movimento foi impulsionado pela postura mais agressiva da Reserva Federal, que reforçou as expectativas de um novo aumento das taxas de juro nos Estados Unidos, bem como pela procura de activos de refúgio em resposta às incertezas geopolíticas no Médio Oriente. Por fim, os metais preciosos registaram perdas semanais superiores a 6%, interrompendo uma trajectória de valorização que se prolongava há três anos. O
ouro passou a ser negociado em torno de 4040,06 dólares por onça, pressionado pela valorização do dólar norte-americano e pelo reforço das expectativas de uma política monetária mais restritiva nos EUA.










