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Economia

Brent volta a superar os 110 dólares à boleia da escalada no Médio Oriente

Petróleo ao dia

O preço do petróleo voltou a negociar acima dos 110 dólares por barril, atingindo máximos de cinco meses, numa altura em que os investidores acompanham com crescente apreensão o risco de novos ataques do Irão no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de energia. Por esta passagem marítima circula cerca de um quinto do petróleo e do gás natural consumidos a nível global, o que faz de qualquer perturbação na região um factor de pressão sobre os mercados internacionais.

Por volta das 08h00, em Luanda, o Brent, referência para as exportações petrolíferas angolanas, avançava 0,7%, para 110,3 USD por barril. Em sentido contrário, o West Texas Intermediate (WTI), referência do mercado norte-americano recuava 0,2% para 98,4 USD, depois de ter negociado perto da fasquia dos 100 USD durante a madrugada.

No mercado europeu, o gás natural negociado na plataforma de Amesterdão registava uma ligeira descida de 0,2%, para 87,9 euros por megawatt-hora, num contexto marcado pela incerteza em torno da segurança do abastecimento energético e da evolução do conflito no Médio Oriente.

A escalada das preocupações surge depois de o vice-presidente iraniano, Reza Aref, ter afirmado, na segunda-feira, que o país "não tem outra escolha" senão assegurar o controlo do estreito de Ormuz para salvaguardar a sua segurança. As declarações, divulgadas pela agência noticiosa estatal IRNA, reforçam a posição de Teerão sobre uma via marítima cuja importância estratégica ultrapassa largamente as fronteiras da região.

Entretanto, os ataques contra petroleiros continuam a alimentar os receios de uma eventual interrupção dos fluxos de crude, enquanto as infra-estruturas energéticas do Médio Oriente permanecem sob ameaça, incluindo por parte dos rebeldes Houthi. A possibilidade de novos incidentes numa das principais artérias do comércio mundial de energia mantém os investidores atentos ao risco de escassez de oferta e de novas subidas dos preços.

Durante um encontro com o primeiro-ministro russo, Reza Aref afirmou igualmente que a República Islâmica está a garantir a passagem pelo estreito de Ormuz a países considerados aliados. O responsável iraniano atribuiu ainda aos Estados Unidos a responsabilidade pela situação actual, defendendo que Washington «tem de pagar o preço» pelas consequências da crise.

Apesar do agravamento das tensões, os Estados Unidos sustentam que os fluxos de petróleo bruto no golfo Pérsico já recuperaram para cerca de 80% dos níveis registados antes da guerra. A evolução destes volumes será determinante para avaliar a capacidade do mercado de absorver os riscos geopolíticos sem uma deterioração mais acentuada da oferta.

Para Angola, a subida do Brent poderá aumentar as receitas de exportação de petróleo, mas também encarecer a importação de combustíveis refinados, como gasolina e gasóleo. O impacto líquido dependerá, assim, do equilíbrio entre os ganhos com as exportações e os custos acrescidos de importação.

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