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Economia

Produção petrolífera estagna, mas receitas fiscais sobem 1.200 milhões USD à boleia dos preços

NOS PRIMEIROS 9 MESES DO ANO

A estagnação da produção levou Angola a exportar menos crude, mas a subida dos preços internacionais compensou a quebra. O desempenho ficou aquém das expectativas do Executivo, com a produção diária 21,4 mil barris abaixo dos 1,050 milhões previstos no OGE, reflectindo o declínio dos campos maduros e a falta de novas descobertas, num contexto em que o petróleo continua a sustentar mais de metade das receitas tributárias.

A produção petrolífera do País fixou-se em 280,8 milhões de barris nos primeiros nove meses do ano, correspondendo a uma média de 1,029 milhões de barris por dia, praticamente a mesma produção registada no periodo homólogo. Contas feitas, o volume representa um aumento de apenas 0,01%, equivalente a cerca de 60 barris por dia, o que significa que a produção nacional estagnou, de acordo com cálculos do Expansão com base nas estatísticas da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).

Na base da estagnação da produção, num contexto em que Angola acumula praticamente uma década em declínio, está a redução do número de paragens de manutenção nas instalações petrolíferas e a entrada em operação de novos projectos, nomeadamente Begónia, CLOV Fase 3 e FPSO Agogo, que iniciaram a produção do primeiro crude na segunda metade do ano passado e contribuíram para reforçar a actividade nos respectivos campos. Os três projectos foram concebidos para acrescentar volumes à produção nacional, no âmbito da estratégia de produção incremental em blocos maduros e em projectos localizados em áreas de desenvolvimento, com uma capacidade de produção adicional estimada em 30 mil barris por dia cada, embora o seu contributo efectivo dependa do ritmo de desenvolvimento e da evolução operacional de cada campo. O desempenho ficou aquém das expectativas do Governo.

Com a produção média de 1,029 milhões de barris por dia registado entre Janeiro e Setembro, Angola produziu, em média, menos 21,4 mil barris por dia do que os 1,050 milhões de barris diários previstos no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026. Assim, para atingir a meta anual inscrita no documento, as companhias petrolíferas que operam no País terão de elevar a produção para uma média de aproximadamente 1,112 milhões de barris por dia no último trimestre, o que provavelmente não irá acontecer, tendo em conta o histórico registado desde o início do ano.

Se, do lado da produção, os resultados continuam praticamente estagnados, do lado das receitas o cenário é substancialmente diferente. As receitas fiscais petrolíferas aumentaram 16% para 7,8 biliões Kz, o equivalente a 8,6 mil milhões USD, ou seja, mais 1,2 mil milhões USD face aos 7,4 mil milhões contabilizados no período homólogo. A verdade é que o País conseguiu facturar mais mesmo exportando menos petróleo, já que a subida do preço compensou a redução dos volumes vendidos ao exterior. Para se ter uma ideia, entre Janeiro e Setembro, as petrolíferas exportaram pouco menos de 279 milhões de barris, menos 1,4 milhões face ao período homólogo de 2025. Ainda assim, o preço médio do crude subiu de 71 para 85 USD por barril, permitindo ao País reforçar as receitas à boleia da valorização do petróleo nos mercados internacionais, apesar da quebra das exportações...

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