Bancos compraram 10 mil milhões USD em divisas, mas oferta continua aquém da procura
Apesar do aumento da oferta, as divisas continuam longe de cobrir as necessidades de importação, assegurando apenas metade da factura mensal de bens e serviços. O sector petrolífero mantém-se como principal fonte de dólares, apesar da quebra nas vendas, enquanto o Tesouro acelera as colocações e faz regressar o "fantasma" de 2022, quando inundou o mercado de divisas, antes deixar o kwanza à mercê da desvalorização.
Os bancos adquiriram 10.042 milhões USD em divisas nos primeiros nove meses do ano, o que representa um aumento de 15% face ao período homólogo. Na prática, as instituições financeiras compraram mais 1.300 milhões USD do que no mesmo período do ano passado, de acordo com cálculos do Expansão com base em dados do Banco Nacional de Angola (BNA). Contas feitas, os bancos adquiriram, em média, cerca de 1.116 milhões USD por mês, um volume que continua insuficiente para responder às necessidades da economia, cobrindo pouco mais de metade da factura mensal de importações de bens e serviços do País.
O aumento da oferta de moeda estrangeira representa, assim, um reforço da liquidez cambial, mas não elimina o desequilíbrio entre as divisas disponíveis no sistema bancário e as necessidades dos agentes económicos. A maior parte das divisas continua a ter origem no sector petrolífero, responsável por 37% das vendas de moeda estrangeira aos bancos comerciais. Entre Janeiro e Setembro, as petrolíferas venderam 3.705 milhões USD, menos 170 milhões USD do que no período homólogo.
A redução reflecte, em certa medida, os constrangimentos da indústria petrolífera, cuja capacidade de geração de divisas continua condicionada pelo comportamento da produção. Mesmo num contexto de preços internacionais do crude mais elevados, a redução da produção limita o potencial de entrada de moeda estrangeira, num sector que permanece determinante para o abastecimento do mercado cambial nacional.
Seguem-se os clientes diversos, categoria que inclui os particulares, empresas de diversos sectores, instituições de ensino e igrejas, que venderam às instituições bancárias 2.822 milhões USD nos primeiros nove meses do ano, um crescimento de 19% face ao período homólogo (+445 milhões USD) .
Já o sector diamantífero vendeu 1.014 milhões USD, mais 47 milhões USD do que no mesmo período do ano passado. Por sua vez, as vendas pontuais do BNA ascenderam a 339 milhões USD, mais 29 milhões USD do que no período homólogo.
Entretanto, vendas do Tesouro Nacional foram as que mais cresceram neste período. As colocações de moeda estrangeira dispararam 78% para 2.162 milhões USD, um aumento de cerca de 948 milhões USD. Assim, apesar da redução das vendas das petrolíferas, o Tesouro compensou parte dessa quebra com um aumento expressivo da oferta de divisas. Esta composição da oferta cambial merece atenção, uma vez que o reforço da disponibilidade de moeda estrangeira depende, em grande medida, de fontes cuja intervenção pode variar em função das necessidades de financiamento do Estado.
O cenário recorda o que aconteceu em 2022, ano de eleições gerais, quando o Tesouro colocou volumes significativos de divisas no mercado, contribuindo para uma forte apreciação do kwanza. E as consequências dessa estratégia surgiu logo após as eleições, quando o Tesouro reduziu significativamente as vendas de moeda estrangeira e o kwanza iniciou o maior ciclo de depreciação da sua história, cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir, com a moeda nacional a negociar em níveis historicamente elevados face ao dólar...











