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Dimensão demográfica torna Nigéria na maior fábrica de startups unicórnios de África

COM FORTE APOIO DA DIÁSPORA

Além da população interna, a diáspora nigeriana desempenha um papel fundamental no fortalecimento do ecossistema de startups, ao actuar como investidora-anjo, mentora e ponte de internacionalização das startups

A dimensão demográfica, com mais de 220 milhões de habitantes, os fortes e crescentes investimentos de capital de risco e a regu lamentação que acompanha a dinâmica do ecossistema fazem da Nigéria a maior fábrica de unicórnios de África, com três startups a valerem cada uma pelo menos de mil milhões de USD, segundo o Índice Global de Ecossistemas de Startups (GSEI) 2026.

Apesar da forte concorrência dos ecossistemas do Egipto, Senegal e África do Sul, todos com uma unicórnio no GSEI, o volume demográfico que amplia o consumo deu escala para um ecossistema robusto na Nigéria. Além da população interna, a diáspora também desempenha um papel fundamental no fortalecimento do ecossistema de startups, ao actuar como investidor-anjo, mentora e ponte de internacionalização, injectando capital e conhecimento global no mercado local.

O termo unicórnio, cunhado em 2013 por Aileen Lee, uma das maiores investidoras-anjo, aplica-se bem à fintech Moniepoint, startup da Nigéria que ultrapassou a barreira de mil milhões USD antes de abrir o capital em bolsa. É a mais recente no grupo raro de unicórnios em África. A Moniepoint entrou no grupo selecto em Outubro de 2024, após levantar 110 milhões de USD numa ronda de financiamento Série C (investimento voltado para a expansão agressiva, o ganho de quota de mercado e o desenvolvimento de novos produ tos). A startup de Lagos aprovei tou bem a informalidade na Nigé ria ao especializar-se em paga mentos e soluções bancárias para empresas e agentes informais.

Na maior fábrica de startups unicórnio do continente, desta cam-se ainda a Interswitch, fin tech pioneira em pagamentos di gitais na região ocidental de África, e também a Opay. A Ju mia sai do grupo por estrear em 2019 na bolsa de valores de Nova Iorque, tornando-se a primeira empresa de tecnologia de África a ser listada numa grande bolsa de valores dos EUA. O sucesso das fintechs na Nigéria deve-se ao acesso limitado aos serviços financeiros tradicionais, realidade generalizada em África.

O cenário criou um forte incentivo para a inovação, e as startups focaram-se sobretudo em servir os milhões de nigerianos sem conta bancária ou com acesso limitado a serviços bancários, principalmente em zonas rurais e no sector informal. Ou seja, em vez de competirem com bancos, que tradicionalmente têm robustez financeira e estruturas consolidadas, as startups estão focadas em construir uma infraestrutura financeira que antes era inexistente no mercado. Algumas já não são apenas startups da Nigéria, mas tornaram-se fintechs de um continente pouco explorado, com grandes oportunidades e enormes margens de crescimento.

A capacidade de um país gerar unicórnios está directamente ligada à maturidade do seu ecossistema de inovação e à escala da sua população. Os Estados Unidos são o exemplo máximo dessa equação ao liderar destacadamente o ranking dos melhores ecossistemas para criar e escalar negócios de inovação. Com uma população estimada em cerca de 350 milhões de habitantes, são também os maiores produtores de unicórnios do mundo, com 620 empresas nesse estatuto. A China, o principal rival tecnológico dos EUA, conta com mais de 148 unicórnios, sustentados por uma população de mais de 1,4 mil milhões de pessoas.

A Índia, a nação mais populosa do mundo, fecha o pódio com 68 unicórnios. Há também startups que falam português". O Brasil soma 19 unicórnios, enquanto Portugal, num feito notável para a sua dimensão demográfica, conta com 4 startups que atingiram esse patamar de valorização.

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