Prémios atingem 447.539 milhões Kz e já valem 94% do total de 2024
De acordo com os últimos dados da ARSEG, os números finais das vendas de seguros em 2025 vão ultrapassar pela 1ª vez os 500 mil milhões Kz, um novo recorde histórico para o sector. O ramo Não Vida mantêm-se como o principal motor do sector, com um crescimento de 21,32%, para 414.675 milhões Kz, 92,7% do total.
A produção de seguros em Angola continua a crescer e já dá sinais claros de que 2025 será um ano recorde para o sector. Nos primeiros nove meses do ano, os prémios brutos emitidos aumentaram 22,7%, para 447.539 milhões Kz, face aos 364.779 milhões Kz registados no período homólogo de 2024, segundo cálculos do Expansão com base nos dados da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).
Este crescimento supera a inflação homóloga, que no final de Setembro de 2025 se situava em 21,7%, evidenciando um ganho real do mercado. Os números mostram ainda que, entre Janeiro e Setembro, o sector já atingiu 94% de toda a produção de 2024, que se fixou em 478.189 milhões Kz. Na prática, o mercado precisou de apenas três trimestres para quase igualar o volume facturado ao longo de todo o ano anterior. Com mais um trimestre por fechar, 2025 deverá ultrapassar, pela primeira vez, a fasquia dos 500 mil milhões Kz em prémios, estabelecendo um novo máximo histórico.
A leitura mais aprofundada dos dados revela, contudo, que o crescimento observado em 2025 resulta menos de uma transformação estrutural do mercado e mais da continuidade de factores que já vinham a marcar o sector nos últimos anos. Desde 2020, a trajectória ascendente da produção de seguros tem sido fortemente influenciada por três vectores principais: a inflação, a concentração em poucos ramos dominantes e a dependência dos grandes riscos empresariais, em particular os ligados ao sector petrolífero.
Entre 2020 e 2022, o crescimento nominal do mercado foi, em larga medida, uma resposta à inflação elevada e à desvalorização do kwanza, que inflacionaram os prémios sem que isso significasse, necessariamente, um aumento real da penetração do seguro. Em 2023 e 2024, a retoma económica parcial e a maior procura por seguros de saúde - impulsionada pelo aumento dos custos médicos e pela fragilidade do sistema público - reforçaram esta tendência. Em 2025, o padrão repete-se: os prémios crescem acima da inflação, mas o número de apólices cai de forma acentuada, sinalizando um mercado que cresce "para cima", mas não "para os lados".
Vida recupera, Não Vida domina
O ramo Vida voltou a ganhar fôlego depois de um período de forte volatilidade. Nos primeiros nove meses de 2025, cresceu 42,95%, para 32.864 milhões Kz, reflectindo um aumento significativo em termos absolutos. Esta oscilação continua a estar fortemente ligada à dinâmica do crédito bancário, uma vez que muitos produtos Vida estão associados a empréstimos a particulares. Sempre que a concessão de crédito abranda, a produção cai rapidamente - e o inverso também se verifica. Noutras geografias, como a África do Sul, este ramo domina o mercado, sustentado por produtos de poupança e investimento e por uma cultura financeira mais desenvolvida. Em Angola, essa realidade ainda está distante, o que explica o peso relativamente reduzido do Vida no conjunto do mercado, não chega a 8% do total das vendas. Já os ramos Não Vida mantêm-se como o principal motor do sector, com um crescimento de 21,32%, para 414.675 milhões Kz. O ramo Doença continua a liderar, com prémios de 137.399 milhões Kz, seguido da Petroquímica (101.067 milhões Kz), Acidentes de Trabalho (36.262 milhões Kz) e Incêndios e Elementos da Natureza (19.539 milhões Kz). Esta concentração, contudo, levanta dúvidas quanto à qualidade e sustentabilidade do crescimento.
Menos apólices, mais prémios
Apesar do aumento da produção, o número total de apólices caiu 46,39%, para 522.560. A quebra foi particularmente acentuada no ramo de Acidentes Pessoais, que passou de 249.914 para apenas 66.275 apólices. Esta redução indica que o crescimento do mercado está a ser impulsionado sobretudo por prémios médios mais elevados e por grandes riscos, e não pela massificação do seguro junto das famílias e das pequenas empresas. É precisamente neste ponto que os operadores alertam para a necessidade de mudar o foco.











