Como saber se uma recuperação está a funcionar | E quando deve terminar?
Um plano de recuperação deve, portanto, conter não apenas medidas para recuperar, mas também mecanismos para verificar se a recuperação está a acontecer. Se os resultados esperados não forem alcançados, é necessário perguntar se ainda existe viabilidade económica e qual a solução que melhor preserva o valor remanescente.
A aprovação de um plano de recuperação não significa, por si só, que a empresa esteja recuperada. O plano cria uma oportunidade. A recuperação só existe quando as medidas previstas começam efectivamente a produzir resultados e a empresa recupera capacidade para gerar valor e cumprir as suas obrigações. Por isso, depois de aprovado o plano, começa uma fase tão importante como o diagnóstico e a definição da solução: a implementação e a monitorização. O primeiro sinal deve estar nas metas financeiras. A empresa está a gerar o cash- -flow previsto?
As vendas evoluem de acordo com as projecções? As margens melhoram? O resultado operacional acompanha o plano? O endividamento está efectivamente a diminuir? E, sobretudo, a capacidade de pagamento está a recuperar? Não basta comparar o saldo da dívida com o período anterior.
É necessário verificar se a actividade económica está a produzir os recursos que sustentam o serviço da dívida. Uma empresa pode cumprir temporariamente um pagamento através de financiamento adicional e, ainda assim, continuar a deteriorar-se.
A monitorização deve também verificar o cumprimento das medidas previstas no plano. Se estava prevista uma redução de custos, uma reorganização operacional, a venda de activos não essenciais, um reforço de capitais ou qualquer outra medida, é necessário confirmar se foi efectivamente executada e qual foi o seu impacto. Outro elemento essencial são os desvios face às projecções.
Nenhum plano é imune a alterações, mas desvios sucessivos e relevantes não podem ser ignorados. Quando as vendas ficam abaixo do previsto, as margens não recuperam, o cash-flow permanece insuficiente ou surgem novos incumprimentos, a situação deve ser reavaliada.
É aqui que entram os chamados gatilhos de recuperação: critérios previamente definidos que determinam quando o plano deve ser revisto, reforçado ou, se necessário, encerrado. A sua existência evita que uma recuperação seja prolongada indefinidamente apenas porque já foram concedidos prazos ou feitas concessões.
Um plano de recuperação deve, portanto, conter não apenas medidas para recuperar, mas também mecanismos para verificar se a recuperação está a acontecer. Se os resultados esperados não forem alcançados, é necessário perguntar se ainda existe viabilidade económica e qual a solução que melhor preserva o valor remanescente.
Isto é particularmente relevante para os credores. Para bancos e para a Administração Geral Tributária, acompanhar uma recuperação não significa apenas esperar pelo pagamento: significa avaliar continuamente se a estratégia adoptada continua a maximizar a recuperação do crédito.
Recuperar não é dar tempo indefinidamente. É conceder uma oportunidade, estabelecer condições, medir resultados e actuar perante os desvios. A preservação de valor exige saber quando insistir, quando reavaliar e, quando a recuperação deixar de ser economicamente justificável, quando parar.










