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Gestão

Diploma | Os cursos estão preparados para o mercado?

CONVIDADO

A discussão sobre empregabilidade deve considerar a estrutura económica do município. A actividade mineira assume particular importância, mas outros sectores também geram necessidades profissionais. Uma maior aproximação entre instituições de ensino e sectores económicos permitiria orientar melhor a formação.

Para muitos jovens do município do Cuango, na Lunda-Norte, concluir uma formação superior representa uma conquista alcançada depois de anos de estudo, esforço e sacrifícios familiares. O diploma é visto como porta de entrada para a vida profissional e como oportunidade de contribuir para o desenvolvimento da comunidade. Contudo, concluir um curso nem sempre significa conseguir imediatamente um emprego.

Surge, assim, uma questão: a actual oferta formativa no Cuango responde às necessidades presentes e futuras do mercado de trabalho? A Escola Técnica do Cuango, unidade orgânica da Universidade Lueji A"Nkonde, tem contribuído para a formação de quadros, com destaque para o Ensino Primário e a Educação de Infância. Estas formações são importantes, mas a realidade económica do município apresenta necessidades que ultrapassam o sector da educação.

A actividade mineira, o comércio, os serviços, a construção civil, os transportes, a administração pública e outras actividades exigem profissionais com diferentes competências. Por isso, é pertinente discutir a diversificação da oferta formativa. Geologia e Minas, Engenharia Informática, Mecânica, Electricidade, Construção Civil, Contabilidade e Gestão, Saúde, Direito e Logística poderiam ser analisadas, desde que a sua implementação tenha por base estudos sobre as necessidades reais da região. O objectivo é garantir formações de qualidade e relacionadas com oportunidades profissionais.

Vocação ou necessidade?

A escolha de uma formação também merece atenção. Alguns jovens escolhem determinado curso por vocação, interesse pessoal e projecto profissional; outros são condicionados pelas condições económicas da família e pela oferta formativa disponível. Segundo um graduado ouvido para esta reflexão, a escolha não deve ser analisada apenas pela vocação ou pela necessidade. Quando uma família possui poucos recursos, muitas vezes a prioridade passa por uma formação disponível, acessível e com maiores possibilidades de inserção profissional. Nesses casos, a vocação pode ficar em segundo plano.

O desafio é criar condições para conciliar vocação e necessidade. A orientação profissional, as bolsas de estudo e uma oferta diversificada podem ajudar os estudantes a tomar decisões de acordo com as suas capacidades, interesses e perspectivas de futuro. A discussão sobre empregabilidade deve considerar a estrutura económica do município. A actividade mineira assume particular importância, mas outros sectores também geram necessidades profissionais. Uma maior aproximação entre instituições de ensino e sectores económicos permitiria identificar competências procuradas e orientar melhor a formação para as necessidades do mercado.

O papel das empresas

As empresas podem desempenhar um papel importante na transição dos jovens da formação para o emprego. É necessário saber quantos jovens formados conseguem oportunidades de estágio ou emprego nas empresas locais e quais os perfis mais procurados. Para muitos recém-formados, a falta de experiência dificulta o acesso ao primeiro emprego. Estágios profissionais, protocolos entre instituições de ensino e empresas e mecanismos de recrutamento de recém-formados poderiam facilitar essa transição.

A Administração Municipal do Cuango pode contribuir para aproximar formação e empregabilidade. Entre as iniciativas possíveis estão o levantamento dos jovens formados à procura do primeiro emprego, feiras de emprego, bases de dados de candidatos e parcerias com empresas. É importante acompanhar o percurso dos graduados: quantos conseguiram emprego, quantos trabalham na área de formação e quantos tiveram de procurar outras actividades.

O acompanhamento dos graduados pode fornecer informações sobre a relevância dos cursos e as dificuldades encontradas no mercado. Saber quanto tempo demora a conseguir o primeiro emprego, em que sector trabalha e se a actividade está relacionada com a formação permitiria avaliar melhor os resultados dos cursos. Esses dados ajudariam as instituições de ensino a identificar áreas que necessitam de ajustamento e a melhorar a preparação dos estudantes.

Diversificar sem perder a qualidade Defender a diversificação da oferta formativa não significa diminuir a importância dos cursos existentes. O Ensino Primário e a Educação de Infância continuam necessários. O desafio é complementá-los com formações que correspondam às necessidades económicas e sociais do município. Sugestões incluem Geologia e Minas, Engenharia Informática, Direito, Saúde e outras formações técnicas.

A abertura de novos cursos, porém, deve ser precedida de avaliação das necessidades locais, da existência de docentes qualificados, das condições de funcionamento e das perspectivas de inserção profissional. Formar mais jovens sem considerar as condições para a sua integração no mercado pode aumentar o número de pessoas qualificadas à procura de oportunidades.

A dificuldade de inserção profissional não pode ser atribuída exclusivamente às instituições de ensino. O emprego depende também da dinâmica económica, do investimento, da capacidade das empresas de absorver mão de obra, das políticas públicas e da iniciativa dos próprios jovens. Ainda assim, as instituições de ensino têm papel fundamental na preparação dos estudantes para uma realidade profissional em transformação. Uma formação de qualidade deve combinar conhecimentos teóricos com competências práticas, domínio das tecnologias, capacidade de adaptação, espírito empreendedor e preparação para diferentes contextos. Por isso, a discussão sobre a empregabilidade no Cuango deve envolver instituições de ensino, administração municipal, empresas, estudantes e graduados.

Conclusão

O grande desafio do município do Cuango não está apenas e m f o r m a r jove n s, m a s e m criar condições para que a formação adquirida se transforme em oportunidades de trabalho, empreendedorismo e desenvolvimento. O diploma representa conhecimento, esforço e qualificação, mas não garante, por si só, uma carreira profissional. Entre a conclusão de um curso e o primeiro emprego é necessária maior articulação entre instituições de ensino, empresas, Administração Municipal e jovens. A diversificação da oferta formativa, a orientação profissional, os estágios, o acompanhamento dos graduados e o conhecimento das necessidades do mercado podem aproximar a formação das oportunidades profissionais. No fundo, importa perceber não apenas quantos jovens obtêm um diploma, mas o que acontece depois de o receberem. Essa realidade merece ser acompanhada, estudada e discutida. Fica, assim, a questão central: os cursos actualmente oferecidos no Cuango estão preparados para responder às necessidades presentes e futuras do mercado de trabalho, ou é necessário ampliar e diversificar as oportunidades de formação para a juventude do município?

*ADÃO SABINO BUNDO, Professor

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