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Jogue videogames como se o seu sucesso dependesse disso!

EM ANÁLISE

Os jogos representam "a derradeira máquina de aprendizagem", isso porque, num videojogo, não adianta acumular e memorizar matéria, é preciso adaptar os conhecimentos, testar hipóteses, encontrar alternativas, desenhar estratégias, entender e aplicar regras.

Os meus filhos já tiveram uma PlayStation 4 (sim, a PS4... não, não tiveram uma PS5) e agora querem uma Nintendo. Antes de se gastar imenso dinheiro ( juntando já os presentes de aniversário com os presentes de Natal, e a contribuição de familiares e de amigos) numa Nintendo, achei que valeria a pena pesquisar a questão dos jogos. Serão mesmo só uma perda de tempo e de dinheiro, uma forma de termos os filhos adolescentes e os maridos absortos e isolados de todo o contacto familiar, ou há algo mais, para além disso? Daniel H. Pink, em A

Nova Inteligência - da era da informação à era conceptual (2017), fala da importância da diversão enquanto factor essencial para a preparação para um futuro que vai ser conceptual, exigente, diferente, e que obriga ao desenvolvimento de capacidades antes relegadas para segundo plano. Daniel Pink apresenta este facto interessantíssimo, ao referir-se ao popular jogo de vídeo "America"s Army": "Que empresa criou o jogo? A Nintendo? A Sega? A Electronic Arts? Não.

A organização que criou, fabricou e distribuiu o America"s Army foi o exército dos Estados Unidos". O jogo foi criado para aumentar o número de recrutas para as forças armadas. E funcionou! Pink explica que "A adopção dos videojogos pelo aparelho militar é apenas um exemplo da influência deste entretenimento".

No entanto, muitas pessoas não conseguem compreender o valor dos jogos, principalmente as de gerações mais antigas, acreditando que o tempo despendido com videojogos corresponde a perda de inteligência e retrocesso social. Nada mais errado.

Os jogos representam "a derradeira máquina de aprendizagem", isso porque, num videojogo, não adianta acumular e memorizar matéria, é preciso adaptar os conhecimentos, testar hipóteses, encontrar alternativas, desenhar estratégias, entender e aplicar regras. Há mesmo algo mais nos videogames. Há benefícios cognitivos, emocionais e até sociais relacionados com os videogames. Vejamos alguns:

l Agilidade mental. Tomadas de decisão rápidas. O cérebro aprende a processar informações e decidir em milissegundos.

l Pensamento estratégico para resolução de problemas.

Os desafios são complexos e é preciso testar várias alternativas e mudar de perspectiva. l Reflexos e destreza. Coordenação motora. Suponho que aquilo que, de fora, parece uma luta com comandos, botões, joysticks e manípulos seja o melhor exemplo. l Percepção visual. Em testes de percepção visual, os jogadores pontuaram 30% mais do que os não jogadores (Nature, 2003).

Os jogadores conseguem detectar mais rapidamente alterações no ambiente e processar informação em simultâneo. Um estudo demonstrou que os médicos que jogavam cometiam menos erros e eram mais rápidos (Gamers Make Good Surgeons, CBSNews.com, 17.04.2004).

l Redução do stress. Válvula de escape. Esquecer tudo. Desconectar-se dos problemas. Desligar. Focar- -se inteiramente no jogo.

l Superação. Aprender com os erros. Lidar com a frustração da perda de um jogo e desenhar novas estratégias.

l Criatividade. Há jogos que permitem que se explore a capacidade criativa e a imaginação.

l Aprender inglês. É verdade. Aprende-se inglês com os jogos. l Trabalho em equipa. Jogos online estimulam a comunicação e a liderança. (Aqui há, no entanto, a necessidade de supervisão e cuidado redobrado por parte dos pais, pois a comunicação por Internet pode levar ao contacto com predadores.)

l Fortalecimento de laços. Jogar com amigos e familiares, com os pais, os primos, cria conexão, experiências e memórias colectivas positivas.

Os jogos permitem lidar com fobias; aprender línguas (o Duolingo - o meu "jogo" para aprender japonês - é tão popular devido às suas características de jogo, com interacção com outros jogadores, prémios, vidas, rankings e outros); resolver problemas complexos; criar cidades; criar negócios; interagir com outros avatares, desenvolvendo competências sociais e profissionais.

A gamificação traz também vantagens directas para o ambiente corporativo, desde o desenvolvimento de competências de liderança, do trabalho em equipa, do engajamento dos colaboradores, da criação de estratégias e da agilidade no raciocínio, até à sua aplicação prática em simulações de estratégias de negócios. Claro que alguns jogos podem também ser uma pura perda de tempo e ensinar absolutamente nada! Mas não esqueça: a indústria global de videojogos movimenta cerca de 250 mil milhões de dólares por ano, superando as indústrias do cinema e da música combinadas! Quase metade da população mundial joga videogames! Mais de três mil milhões de pessoas! Portanto: podemos não gostar, mas não podemos ignorar. O segredo? O equilíbrio. Escolha bem o jogo.

Faça uma boa gestão de tempo. Jogar quando é para jogar e não jogar quando é altura para estudar ou trabalhar, ou quando é preciso ocupar-se da casa (e sim, os homens têm exactamente a mesma obrigação que as mulheres de arrumar ou supervisionar a organização da casa, cuidar das refeições e da roupa, ajudar as crianças a preparar as mochilas e os lanches). E nada de gritar com os miúdos quando eles estão a jogar. Basta conversar com eles e estabelecer também horários e regras simples e justas. Boa aprendizagem!

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