China disposta a expandir cooperação e gerir diferenças com EUA com "cartas na mão"
O Presidente Trump aterra em Pequim nove anos depois da última visita à China, numa posição de maior fragilidade para negociar com o Presidente Xi Jinping. Inteligência Artificial, energia e terras raras dominam agenda.
"Na Cimeira Trump-Xi, a China terá a vantagem", concluem cinco especialistas numa análise, publicada pelo Conselho de Relações Exteriores três dias antes de Donald Trump aterrar em Pequim, com uma comitiva de peso que incluiu vários líderes tecno lógicos, entre os quais Jensen Huang, CEO e co-fundador da Nvidia, um homem nascido em Taiwan e com dupla-nacionalidade, chinesa e norte-americana, que, segundo a Reuters, foi adicionado à última hora na delegação empresarial, fortemente marcada pelas tecnológicas.
A comitiva norte-americana, que incluiu ainda Elon Musk, da Tesla, Tim Cook, da Apple, Kelly Ortberg, da Boeing, e executivos de empresas como a Mastercard, Visa e Goldman Sachs, foi recebida em Pequim, de manhã, com honras militares e o entusiasmo juvenil de dezenas de estudantes chineses a acenar com bandeirinhas dos dois países. Uma coreografia que oculta atritos e divergências nas relações entre os EUA e a China, e cujo compasso foi marcado pela diplomacia chinesa pouco antes do Air Force One aterrar em solo chinês.
"A China saúda a visita de Estado do Presidente Trump", declarou o porta-voz do Ministério dos Negó cios Estrangeiros, Guo Jiakun, na habitual conferência de imprensa diária, onde afirmou que o país está pronto para trabalhar com os EUA para "expandir a cooperação e gerir as diferenças", trazendo "esta bilidade e certeza a um mundo assolado pela mudança e turbulência". Nas ruas já circulava o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), que no editorial de quarta-feira afirmava que a relação entre a China e os EUA "não pode voltar ao passado".
"O encontro entre os dois principais líderes mundiais ocorre numa altura em que a guerra liderada pelos EUA contra o Irão gera ainda mais instabilidade global, e a China continua a consolidar o seu domínio sobre os minerais críticos e a sua credibilidade como fornecedor global de energia", sintetiza o Conselho de Relações Exteriores, um think tank sediado em Nova Iorque.
A cimeira devia ter-se realizado em Março, na primeira visita de um presidente dos EUA à China desde 2017, mas foi adiada por causa dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, que enfraquece rem a posição da Casa Branca, que se tem mostrado incapaz de arranjar um acordo de saída para a guerra sem parecer derrotada. Há nove anos, o presidente chi nês, Xi Jinping, ofereceu "uma "visita de Estado alargada", durante a qual foram anunciados "acordos comerciais no valor de 250 mil milhões USD". Hoje, Trump encontra-se com um Xi Jinping, que diz aos seus quadros que "o Oriente está em ascensão e o Ocidente em declínio" e que se fortaleceu no último ano, ao "conseguir repelir a escalada comercial sem precedentes de Trump", resume Rush Doshi.
Pequim está "provavelmente disposta a comprar aviões à Boeing e soja americana para garantir a estabilidade", mas irá fazer exigências, em questões críticas, como a venda de armas a Taiwan, impondo o ritmo em negociações sobre Inteligência Artificial, nomeadamente sobre modelos de IA perigosos, área onde os EUA levam um avanço de seis meses. Vantagem curta que "não é forte o suficiente para incentivar a China a negociar e cumprir exigências", evidencia Chris McGuire, já depois de Pequim no início de Maio ordenar às empresas chinesas que não cumpram as sanções dos EUA sobre cinco refinarias chinesas.










