A Educação é a prioridade
Quantos governantes, dirigentes partidários, deputados, administradores, quadros de topo de empresas ou quadros superiores têm os filhos a estudar no sistema público em Angola?
Os dados de execução do OGE para o I semestre mostram que apenas 24% da verba prevista para a Educação em 2025 foi aplicada, metade daquilo que na verdade deveria ter acontecido. E não se pode dizer que tenha sido por falta de dinheiro, uma vez que na Defesa foi executado 79% do total para este ano, o que, em termos numéricos, é quase o dobro (1.053 milhões Kz) face ao gasto em Educação (546 milhões Kz). Em termos globais, a despesa corrente do OGE foi executada em 42,7%.
Estes dados são contraditórios face ao discurso oficial de que o maior desafio do País é a Educação, algo com que muitos de nós estamos de acordo, pois não será possível haver desenvolvimento sem uma geração de angolanos com uma educação sólida, valores e princípios fortes, conhecimentos técnicos que lhes permitam melhorar a produtividade da nossa economia. Isto é tão mais importante para o País, quando se sabe que mais de metade da população tem menos de 18 anos, e quando se mantêm taxas elevadas de crianças e jovens fora do sistema de ensino.
Obviamente que isto não se altera só com dinheiro, em especial se as verbas foram maioritariamente destinadas para o betão, em vez de pensar seriamente nas condições das escolas e na qualidade dos professores. Há cerca de 10 anos que se fala desta necessidade de apostar na educação, de formar e pagar convenientemente aos professores, de criar condições nas escolas públicas para que possam exercer convenientemente o seu papel, mas depois os dados e os números repetem-se. E mostram que a Educação continua a ser o "parente pobre" do País.
Há bons estabelecimentos de ensino no País, defendem muitos, claro que sim! Mas na quase totalidade são privados e custam muitos milhares de kwanzas, estando só ao alcance de uma pequena percentagem da população. Depois há um fenómeno que não podemos esquecer, cada vez mais famílias e cada vez mais cedo estão a enviar os seus filhos para o exterior para o estudar. Aliás, seria interessante fazer um levantamento para perceber quantos governantes, dirigentes partidários, deputados, administradores, quadros de topo de empresas ou quadros superiores das instituições têm os seus filhos a estudar no sistema público em Angola.
Talvez seja por isto que o sector da Educação merece tão pouca atenção de quem dirige o País, quando na verdade devia ser o contrário. Todos devem ter a oportunidade de ter uma educação capaz e sólida, e não apenas os mais abastados. Só assim podemos ter uma sociedade mais justa e equilibrada, aproveitando o talento, a capacidade crítica e conhecimento dos nossos jovens. Isto está consagrado na Constituição, mas na prática não é assim. A Educação continua a ser o maior desafio do País. E continua a ser adiado. Porquê?