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Opinião

A Geração Z Angolana e a quota dos 30%

CONVIDADO

Contudo, nas ruas de Luanda, longe do verniz das conferências de imprensa, a Geração Z e as donas de casa fazem a pergunta mais pragmática de todas: quanto vai custar a fuba no mercado amanhã? No imediato, os mercados da capital correm o risco real de sofrer uma febre inflacionária.

Recentemente, a Comissão Económica do Conselho de Ministros deu luz verde a uma mudança estrutural: o milho entrou oficialmente para a lista de bens de amplo consumo. A decisão ganhou dentes e garras com o Decreto Executivo n.º 130/26, assinado pelo ministro Rui Miguêns de Oliveira, titular do Ministério da Indústria e Comércio de Angola. À primeira vista, parece apenas mais uma burocracia técnica. Na verdade, trata-se de um grito de sobrevivência económica e de um aviso direto à Geração Z angolana: o futuro do país não vai ser importado; vai ter de ser plantado.

O diagnóstico que justifica a medida é tão duro quanto os números que os nossos jovens partilham nas redes. Angola consome cerca de 10 milhões de toneladas de milho por ano. No entanto, as províncias conseguem colher apenas entre 3,6 e 4,5 milhões. O abismo entre a fome da indústria e a capacidade da enxada é gigantesco. Só no último ano, o país foi obrigado a importar mais de 211 mil toneladas de milho. Gastaram-se divisas que podiam financiar bolsas de estudo, tecnologia e startups para trazer de fora o que a terra tem obrigação de produzir.

É aqui que entra a nova engenharia legal desenhada pela tutela de Rui Miguêns de Oliveira: a medida estabelece que os operadores económicos importadores de milho devem adquirir, no mínimo, 30% do volume total de que necessitam no mercado interno.

O recado do Executivo é claro e frontal: se querem o lucro do produto estrangeiro, terão primeiro de financiar o suor do povo angolano. Com esta quota obrigatória, o Governo visa fomentar diretamente a produção nacional e reduzir a asfixiante dependência das importações, aplicando ao milho o mesmo colete de forças que já protege o frango e a tilápia.

Contudo, nas ruas de Luanda, longe do verniz das conferências de imprensa, a Geração Z e as donas de casa fazem a pergunta mais pragmática de todas: quanto vai custar a fuba no mercado amanhã? No imediato, os mercados da capital correm o risco real de sofrer uma febre inflacionária.

Como ainda não se produz o suficiente, a regra dos 30% vai gerar uma corrida desenfreada ao escasso milho nacional. Além disso, trazer um camião de milho do Huambo ou da Huíla pelas estradas secundárias custa, hoje, muito mais caro do que descarregar um navio cargueiro no Porto de Luanda. Como os grossistas não fazem caridade, essa fatura logística vai ser empurrada para o consumidor. O preço do saco de fuba e da ração animal pode subir no curto prazo, encarecendo por tabela o frango e o ovo.

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