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Inteligência Artificial aumenta o ciber-risco nas empresas

Aponta estudo da KPMG

A crescente adopção da inteligência artificial (IA), o aumento do número de acessos realizados por máquinas e a maior dependência de fornecedores tecnológicos estão a redefinir o panorama da cibersegurança empresarial. A conclusão consta do relatório Considerações sobre a Cibersegurança em 2026, da KPMG, que aponta o cibercrime e a insegurança digital como a principal ameaça ao crescimento das organizações, segundo 79% dos CEOs inquiridos a nível global.

O estudo defende que a cibersegurança deixou de ser uma questão exclusivamente tecnológica para se tornar uma prioridade estratégica da gestão de topo, com impacto directo na continuidade das operações, na confiança dos clientes e parceiros e na capacidade de inovação das empresas.

Entre as oito prioridades identificadas pela consultora destacam-se a protecção dos sistemas de inteligência artificial, a gestão das identidades e acessos não humanos, o reforço da segurança nas relações com fornecedores e parceiros tecnológicos e uma maior integração do responsável pela segurança da informação (CISO) nos processos de decisão das organizações.

Para Sérgio Martins, Cybersecurity Partner da KPMG Portugal, a confiança digital tornou-se um factor determinante de competitividade.

"A confiança digital é hoje um diferencial competitivo. À medida que a IA amplia capacidades - tanto de atacantes como de defensores - é essencial gerir o risco associado a identidades não humanas em toda a cadeia de valor. Segurança e compliance não têm de ser um travão à inovação; pelo contrário, podem ser um catalisador, porque garantem resiliência digital", afirma.

O relatório sublinha que a inteligência artificial representa simultaneamente uma oportunidade e um risco. Se, por um lado, permite detectar ameaças e responder mais rapidamente a incidentes de segurança, por outro aumenta a escala, a velocidade e a sofisticação dos ciberataques.

Os dados mostram que 92% dos executivos do sector tecnológico acreditam que a gestão de agentes autónomos de IA será uma competência crítica nos próximos cinco anos. Em paralelo, 54% da população mundial afirma desconfiar da utilização desta tecnologia, reforçando a necessidade de modelos robustos de segurança, transparência e governação.

Outro dos desafios destacados prende-se com o crescimento das chamadas identidades não humanas - aplicações, máquinas e agentes de IA que executam tarefas e acedem a sistemas empresariais de forma autónoma. Este fenómeno aumenta a necessidade de controlar permissões, credenciais e privilégios de acesso.

A KPMG revela ainda que 59% das empresas sofreram, no último ano, pelo menos uma violação de segurança provocada por terceiros, frequentemente associada à atribuição de permissões excessivas a fornecedores ou parceiros tecnológicos.

A dependência crescente de serviços em nuvem, plataformas de software e soluções de inteligência artificial faz com que vulnerabilidades externas possam rapidamente transformar-se em riscos internos para as organizações.

Segundo o relatório, a resiliência da cadeia de fornecimento é actualmente um dos principais factores que condicionam as decisões empresariais de curto prazo. Além disso, 45% das organizações afirmam que o risco regulatório associado a terceiros aumentou significativamente nos últimos anos.

Perante este cenário, a KPMG defende que a transformação digital deve ser acompanhada por uma estratégia de cibersegurança integrada na gestão do negócio. A consultora sustenta que investir em segurança, gestão de risco e compliance não constitui apenas uma medida de protecção, mas também uma vantagem competitiva, capaz de reforçar a confiança do mercado, assegurar a continuidade das operações e criar condições para uma inovação sustentável.

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