Sector dos jogos piora o risco já alto de branqueamento de capitais em 2025
Os casinos podem estar a ser usados amplamente para lavar dinheiro em Angola. Nas operações suspeitas declaradas à UIF há artifícios financeiros evidentes de branqueamento. Por outro lado, verifica-se ausência de triagem de Pessoas Politicamente Expostas nas salas de casinos.
O sector dos jogos piorou o nível geral de risco já alto de branqueamento de capitais, o que significa que casinos e plataformas de apostas podem estar a ser amplamente utilizados para converter dinheiro de origem ilícita em fundos aparentemente legais, conforme o Relatório de Avaliação Sectorial de Risco de Branqueamento de Capitais no Sector dos Jogos de 2025, elaborado pelo Instituto de Supervisão de Jogos (ISJ).
O documento reúne as respostas aos questionários e os relatórios de auto-avaliação das Entidades Exploradoras de Jogos (EEJ) relativos a 2025, analisados pelo Grupo Técnico de Avaliação Mútua (GTAM) do ISJ, em matéria de prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo. Por razões de confidencialidade, a identificação nominal das EEJ foram ocultadas.
Entre as 25 empresas em operação durante o ano, 17 responderam ao ISJ, 3 não entregaram os documentos e 5 foram dispensadas por não terem actividade documentada. Das 17 avaliadas, 3 ficaram no nível crítico, 9 no nível alto e apenas 5 no nível médio. Em relação a 2024, o número de entidades em risco alto passou de 4 para 9, um aumento de 125%.
As omissões na entrega do relatório de auto-avaliação caíram de 14 para 3, mas o ISJ considera tratar-se de "uma falsa melhoria, dado que essas 3 entidades transitaram para uma classificação de risco material por efeito da análise dos questionários e relatórios de auto-avaliação agora submetidos".
"A evolução entre 2024 e 2025 revela um retrocesso estrutural preocupante, com a passagem de mero incumprimento por omissão para incumprimento material relacionado com preenchimento defeituoso, contradições internas e ausência de comunicações de operações suspeitas à UIF (Unidade de Informação Financeira) ", lê- -se no relatório.
Segundo os avaliadores, várias entidades passaram de simples falta de entrega a falhas mais graves, como respostas mal preenchidas e contradições na aplicação das medidas de identificação e de diligência. Na maioria das EEJ, o ISJ detectou ainda a ausência de mecanismos de triagem de pessoas politicamente expostas (PEP, sigla em inglês) nas bases de dados, uma obrigação legal, o que requer das casas de aposta e dos casinos correcções urgentes....










