Director Carlos Rosado de Carvalho

"Está toda a gente a olhar para Angola e a ver se isto vinga e como funciona"

"Está toda a gente a olhar para Angola e a ver se isto vinga e como funciona"
Foto: César Magalhães

A inquietação "está na rua" e traduzir em realidade a expectativa de mudança criada pelo actual Governo vai definir o futuro do País. É importante que a elite política e económica tenha noção do seu papel, diz Nuno Guita, e do momento "único" que se vive.

Participou na semana passada na Iª Conferência Internacional sobre fraudes e delitos económicos em Angola. Defendeu que o País vive um momento único. Porquê?
O mundo todo está a olhar para Angola, sobretudo no negócio internacional. Uma coisa é a auto-percepção, o que as pessoas sentem e vêem aqui. Outra é a perspectiva extrínseca. Angola é uma potência regional, concorre directamente com África do Sul e Nigéria e o que está a acontecer é único, em África e, se calhar, no mundo. As condições que conduziram a isto também são únicas. Toda a gente desta área, que se interessa pelo compliance e pela corrupção, está a olhar para aqui para ver se isto vinga e como é que funciona.

Mas a que se deve essa atenção toda?
Porque há aquele fantasma de África ser irrecuperável. Este é um momento angolano, que é também africano. Era interessante Angola, as suas elites, os seus dirigentes e a população tomarem consciência do papel de liderança de todo um continente, que pode esvaziar-se ou pode, de facto, ser a diferença.

Isso acrescenta responsabilidade ao actual Presidente, que tem personalizado muito esta mudança?
Eu resisto a personalizar, porque os comportamentos de uma população ou organização contam com o contributo de todos. Seguramente que o de um Presidente tem outro peso. O que é particularmente interessante, e nesta conferência foi visível, é que a inquietação está nas ruas. Os índices de popularidade deste Presidente são também únicos. Não temos isso em mais lado nenhum. O que é que significa? Que as pessoas estão a aderir. É a conjugação das estrelas.

Há que saber aproveitar essa conjugação de factores?
Sim. Fazer da adversidade bonança, muitas vezes, é o segredo para o sucesso. Quando falamos na crise económica e financeira, nas dificuldades cambiais, nas restrições actuais, tudo isso pode ser uma enorme oportunidade. Se Angola vencer, desmistifica- se um conjunto de preconceitos. Em termos de negócios, a Europa, e os EUA também, é o continente do passado, a Ásia do presente, África é o do futuro. Mas o futuro pode vir amanhã, como daqui a 500 anos.

O potencial só não chega?
O potencial é apenas isso mesmo, materializá-lo é a transformação no concreto. Temos de empoderar as pessoas. Angola faria bem em apoderar-se do seu destino, começando por se convencer a si mesma - o gestor, o trabalhador, o governo - que é capaz. Só depois consegue convencer os outros. Se Angola vencer, vai contaminar a região, o continente. Toda a gente vai perceber que o africano não é menos, que não há nenhuma predestinação étnica cultural. Esta conferência, em muitos países da Europa não era possível. (...)


(Leia a entrevista integral na edição 497 do Expansão, de quinta-feira, dia 1 de Novembro de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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