Director Carlos Rosado de Carvalho

Programa de Apoio ao Crédito requer uma política industrial selectiva

Programa de Apoio ao Crédito requer uma política industrial selectiva

Uma das críticas, quiçá mesmo a principal, feita ao PRODESI por responsáveis de associações de empresários em Angola tem sido o facto de este programa ter sido lançado sem um orçamento.

O que depreendemos da nossa análise dos diversos pronunciamentos do actual Executivo foi que, ao desejar para o Estado um "papel regulador e coordenador", limitando-se "à promoção do crescimento da economia", acreditou-se que o sector empresarial privado iria ter condições de financiar, através da banca comercial, hoje controlada por angolanos, aqueles projectos que poderiam impulsionar a transformação da estrutura produtiva de Angola. O que veio a revelar-se uma miragem.

Com a criação do Programa de Apoio ao Crédito - PAC (em substituição do Programa Angola Investe +), acreditamos ser esta uma medida essencial, por mostrar que o Executivo ouviu as críticas dos empresários nacionais. Todavia, é importante assinalar que tal medida pode fracassar dada a ausência de uma política industrial selectiva. Afinal, como nos recorda o renomado economista Ha-Joon Chang, muitos dos hoje países desenvolvidos, Reino Unido, EUA, Alemanha ou até mesmo a China, desenvolveram a sua indústria transformadora graças à implementação deste tipo de política.

Se anteriormente falar em política industrial era uma espécie de tabu, ao ponto das instituições financeiras internacionais não encorajarem os países em desenvolvimento, particularmente em África, a tentarem implementar este tipo de intervenção, hoje o contexto parece ser diferente. Como resultado, no Reino Unido, um país rico, discute-se a melhor forma de implementar uma política industrial bem como a necessidade de se criar um banco virado para o financiamento do desenvolvimento.

Em África, países como a Etiópia, Ruanda e África do Sul estão na linha da frente na implementação de uma política industrial. Enfim, hoje existe espaço para que os governos possam, de forma selectiva, desenhar e implementar intervenções visando dar início particularmente a um rápido processo de industrialização. (...)

(Leia o artigo integral na edição 512 do Expansão, de sexta-feira, dia 22 de Fevereiro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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