Será que a economia já bateu no fundo?

Será que a economia já bateu no fundo?

A economia angolana deverá regressar ao crescimento em 2019 após três anos de recessão. A totalidade dos organismos nacionais e internacionais que fazem previsões sobre a economia angolana assinariam por baixo esta afirmação.

De acordo com a média das previsões compiladas pela Bloomberg, agência de notícias especializada em Economia, o Produto Interno Bruto (PIB) angolano deverá crescer 2,4% em 2019.

Mais optimistas são o Governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI). No cenário económico que serviu de base ao Orçamento Geral do Estado para este ano, o Executivo aponta para um crescimento de 2,8%. A página do representante do FMI em Angola prevê 3,1%.

Diferenças entre projecções de crescimento são o pão nosso de cada dia. É natural que fontes diferentes apresentem números diferentes. O que é menos natural é que a tendência seja diferente, isto é que uns digam que a economia vai acelerar e que outros apontem em sentido contrário. Por isso muitos economistas, entre os quais me incluo, mais do que percentagens em concreto valorizam a tendência das previsões.

E a tendência para 2019 face a 2018 é clara. Todos os organismos que acompanham a economia angolana estimam que houve recessão em 2018 e prevêem crescimento em 2019 com as nuances mencionadas.

Esta tendência é corroborada pelo indicador de clima económico (ICE) divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística com o inquérito de conjuntura do IV trimestre. O ICE mede as expectativas dos empresários 661 empresas distribuídas por de sete sectores de actividade e quatro Províncias.

A má notícia é que o clima económico está no vermelho desde o III trimestre de 2015 tendo-se fixado em -12 pontos percentuais no IV trimestre de 2018. Quer isto dizer que, no final do ano passado, os empresários que apontavam para uma evolução negativa da economia angolana no curto prazo superavam os que acreditam numa evolução positiva em 12 pp.

A boa notícia é que, depois de ter atingido o mínimo histórico de -34 pp no I trimestre de 2016, o pessimismo dos empresários não parou de descer - o I trimestre de 2017 e o III de 2018 são excepções que confirmam a regra.

Como o clima económico é uma espécie de guarda avançada da evolução da economia é muito provável que a economia angolana tenha mesmo batido no fundo e que já esteja em recuperação moderada. A ver vamos.

Mas não adianta embandeirar em arco. As previsões apontam para taxas de crescimento a rondar os 3% igual ao crescimento da população. Quando o aumento da riqueza não compensa o crescimento da população, o País empobrece.


Editorial da edição n.º 516, de 22 de Março de 2019, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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