Director João Armando

"Se a consciência política não melhorar, a economia não terá hipóteses"

"Se a consciência política não melhorar, a economia não terá hipóteses"
Foto: D.R.

O ex-integrante do grupo SSP diz-se ansioso para o show do grupo marcado para 4 de Abril, na Baía de Luanda. A mudança para o rap gospel não o impede de subir ao palco e cantar os antigos sucessos. Para ele, a crise vai além da financeira e afecta os valores.

Que expectativas tem para o espectáculo dos 28 anos dos SSP, no dia 4, Dia da Paz?
Particularmente, considero a paz um presente de Deus, a Ele toda honra e glória. Espero que seja um show onde possamos celebrar, conviver, viajar e reflectir a paz.

O que podem esperar os fãs do grupo no dia do show?
Este show está a ser preparado com muita responsabilidade e carinho, por isso espero que gostem e que este tempo sem SSP tenha valido para alguma coisa. Para nós também, pois estes shows acabam por ser muito exaustivos e dispendiosos, sobretudo porque o grau de exigência é maior. Mas estamos a trabalhar para que corresponda às expectativas os fãs.

Fala-se em olhar mais para a marca SSP, que poderá ser rentabilizada, pode contar-nos o que pretendem produzir?
O segredo e a viabilidade são armas boas para esta nova empreitada. Em breve teremos estes detalhes e vamos partilhar na altura certa.

Como avalia a sua carreira a solo?
As carreiras não podem ser resumidas em ciclos ou fases da vida do artista. A arte é contínua e quando temos o dom e amamos a arte que fazemos pode ser mudada a maneira como é feita mas a arte continua com o artista. Considero que estou numa fase diferente em que senti que com a minha arte devia servir a Deus, louvando, adorando, exaltando e exortando aos meus seguidores que Deus está em primeiro lugar. Esta empreitada também tem seu espaço tempo e contexto. A minha carreira só deverá avaliada depois da minha morte, porque enquanto tiver fôlego e saúde o dom da arte viverá em mim.

Tantos anos depois de Ondaka, como estão os próximos projectos?
Os projectos continuam. Muitos deles hoje já não são executados porque estão desactualizados, uns parados, outros incompreendidos. A conjuntura não está para menos.

Tem vontade de lançar um novo trabalho? O que o impede?
Não diria vontade, pois sinto a necessidade de contribuir melhor para o mercado gospel em que agora estou inserido. Seria bom ter um mercado amplo e sustentável, mas para isso precisamos trabalhar, não só como músicos mas também com soluções inovadoras que nos levem a este caminho. O resto nos será acrescentado.

Como olha para o cancioneiro nacional?
O cancioneiro nacional é rico mais pouco prestigiado e divulgado... Olhando para as canções regionais temos uma diversidade autêntica que é o rosto da nossa verdadeira cultura e é uma pena que as recolhas e estudos dos mesmos não sejam monitoradas, catalogadas, divulgadas pelo ministério da Cultura e o tal Executivo.

Como é que a crise interfere nos seus projectos pessoais e profissionais?
Do meu ponto de vista, a Angola em que eu vivi sempre esteve em crise. E esta crise, para além de financeira foi, sobretudo, de valores. Muitos pensam que com dinheiro no bolso estamos imunes à crise, que sabemos tudo mesmo sem saber nada. A sensação de estar endinheirado é confundida com bem-estar, acaba por confirmar esta crise em todos os aspectos. Um pão deveria saber a "compaixão " quando comido em frente de alguém que morre por falta de paracetamol. Venço a crise quando sou solidário, responsável, optimista e sei que tudo acontece na hora certa conforme a vontade do Senhor.

Como é que a música pode ajudar o País a sair dessa situação económica?
Se a consciência e a integridade política não melhorar, a economia não terá hipóteses. E esta integridade deve estar baseada na essência da vida, o amor.

Estreou-se no teatro com as aventuras de Johnny Cash. Pode contar-nos a sua experiência?
A pré-estreia da peça foi muito boa. Ser encenador curioso, como fui, teve o seu grau de risco, mas às vezes na arte aceitamos desafios. Escrevi a peça e juntei-me à companhia de artes PHD e foi muito gratificante. Em breve voltaremos a ter a peça em cartaz.

Podemos esperar mais do Jeff no teatro?
Tenho neste momento seis peças escritas, espero ter a oportunidade de apresentá-las. Conto com alguns apoios e seria uma coisa nova e diferente no mercado Angolano.


Jeff Brown nos palcos, com rap gospel e teatro

Adalberto Bernardo Almiro Culanda é conhecido como Jeff Brown, ex-integrante do grupo SSP. Hoje, aos 47 anos, Jeff dedica-se ao estilo musical rap, mas agora em formato gospel. Mas a sua carreira a solo, após a separação do grupo, começou desde 2006, quando o artista publicou o álbum "Trajectória" e depois o "Ondaka", em 2011, ambos nos estilos Kwassa, Raggae, Afro-House, Semba e Soul Music.

Formado em Gestão e Administração de Empresas, diz que sabe cozinhar ao estilo de internato, e aproveita o seu tempo livre para estar com a família, entre a mulher e os seis filhos. "Man in the mirror" de Michael Jackson é a sua música preferida, e o livro que lê constantemente é a Bíblia. Quanto os projectos futuros, Jeff prefere guardá-los a sete chaves até chegar a altura certa de acontecerem. O músico entende que a falta de maturidade da indústria cultural no País contribuiu para a sua pouca exposição como compositor de músicas gospel.

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