Que futuro para os jovens deste País?

 
Que futuro para os jovens deste País?

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os dados de desemprego do País, revelando que metade dos jovens entre os 15 e os 24 anos estão desempregados. Contas feitas, os resultados são trágicos: 2,1 milhões de pessoas nesta faixa etária não têm trabalho. Mais. Cerca de um milhão dos jovens não trabalha nem estuda, o que, à primeira vista, indicia que o País está a criar ou mais informalidade no emprego ou a potenciar actividades criminosas.

Num País que está a sair (esperemos) de três anos consecutivos de recessão para uma economia praticamente estagnada em 2019 (previsões de crescimento de 0,4%), as perspectivas de criação de emprego para absorver a mão-de-obra disponível são quase nulas. É que, numa economia, com um crescimento económico inferior ao crescimento populacional, como tem sido o caso de Angola, a população empobrece de ano para ano. Quando uma economia não cresce, há menos empresas a nascer e há mais a fechar portas, empurrando mais trabalhadores para o desemprego.

Como a economia nacional tarda a diversificar-se, mantendo o petróleo como o seu principal motor, é difícil perspectivar como se inverterá este quadro. É que, apesar de o sector petrolífero ser o principal ganha-pão do País, não é ali que serão empregados os milhares, ou milhões, de angolanos que estão no desemprego.

Parece um contra-senso, mas, apesar do elevado índice de desemprego no País, muitas empresas continuam a queixar-se de não conseguir encontrar quadros qualificados para preencher as suas necessidades. Queixam-se, sobretudo, de serem obrigadas a investir fortemente na capacitação da mão-de-obra que sai das universidades do País, porque com frequência não têm os conhecimentos técnicos necessários para assumir as funções que o seu grau académico promete.

Dito de outra forma, os empresários queixam-se que o negócio das universidades privadas é isso mesmo, um negócio, e que muitas centenas de jovens formados não conseguiram adquirir, nos anos de formação académica, os conhecimentos técnicos necessários para o desempenho de funções em sectores-chave, como a banca ou empresas ligadas a engenharias.

Consciente disso, o Governo avançou com o Plano de Acção para Promoção da Empregabilidade, programa que tem como objectivo, entre outros, formar jovens empreendedores em gestão de pequenos negócios. É um caminho, mas apostar na criação de emprego é, sobretudo, criar condições para que o sector privado possa prosperar. Para fazer avançar a diversificação económica. É isso que todos esperamos.


Editorial da edição n.º 521, de 26 de Abril de 2019, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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