A segunda exoneração de Carlos Saturnino

A segunda exoneração de Carlos Saturnino
Foto: César Magalhães

Depois de ter sido exonerado de Presidente da Comissão Executiva da Sonangol Pesquisa e Produção, SA e de Membro do Conselho de Administração, em Dezembro de 2016, por Isabel dos Santos, chegou agora a vez de ser exonerado pelo presidente da República, João Lourenço, do cargo de PCA da petrolífera nacional, 18 meses depois de ter tomado posse.

A exoneração de Carlos Saturnino começou a ser preparada na segunda-feira, depois da reunião que juntou na Cidade Alta o próprio presidente da República, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, o ministro dos Petróleos e Recursos Naturais, Diamantino Azevedo, o ministro da Energia e Águas, João Batista Borges, o governador do BNA, José de Lima Massano, e o próprio Carlos Saturnino.

O presidente exigiu uma explicação clara e precisa do que se estava a passar, tendo ficado claro que o comunicado de sábado da Sonangol, onde a principal razão evocada era a falta de divisas, caiu muito mal não apenas à Presidência, mas também aos membros de governo e ao BNA. João Lourenço pediu aos presentes que pusessem por escrito as razões evocadas durante a reunião, tendo recebido os relatórios poucas horas depois.

E foi com base nestes documentos que a Casa Civil fez sair um documento na terça-feira de manhã onde se concluía "ter havido falta de diálogo e comunicação entre a Sonangol e as diferentes instituições do Estado, o que terá contribuído negativamente no processo de importação de combustíveis". E quem devia ter dado o passo era a Sonangol. A culpa estava atribuída. O destino de Carlos Saturnino estava traçado.

Na balança estavam dois pesos diferentes. De um lado os argumentos políticos - a necessidade de dar uma resposta com a mesma dimensão da confusão que se vivia nas principais cidades com as dificuldades de abastecimento, e a pressão social que "exigia" ao Presidente da República que nada ficasse com antes.

Do outro, os argumentos económicos - o facto de haverem muitos dossiers em aberto (agência nacional, instituto regulador, reorganização interna, etc.), a estabilidade conseguida junto das petrolíferas estrangeiras e a boa imagem internacional desta "nova" Sonangol fundamental para o crescimento do sector. Mas como quase sempre acontece, o peso dos argumentos políticos foi mais forte. (...)

(Leia o artigo integral na edição 523 do Expansão, de quarta-feira, dia 10 de Maio de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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