Director João Armando

E as pessoas?

E as pessoas?

Devemos caminhar em direcção a esta nova era e trabalhar de modo a gerir os impactos nas pessoas. Isto vai exigir alterações profundas que visem o desenvolvimento de novos métodos de ensino, o investimento em programas de transformação para facilitar a transição de trabalhadores e uma estreita colaboração entre o sector privado e o público.

A 4.ª Revolução Industrial está a alterar de forma profunda todas os sectores da sociedade. Novas tecnologias - Inteligência Artificial; Automação; Internet das Coisas (IoT); Realidade Aumentada; Blockchain; 5G - fazem cada vez mais parte da realidade e da operativa diária das organizações e prometem reformular modelos de negócio, alavancar novos produtos, melhorar o serviço ao cliente, fomentar a eficiência, aumentar a produtividade e, em última análise, melhorar as nossas vidas.

As oportunidades que surgem com a adopção destas novas tendências tecnológicas parecem ser infinitas e inquestionáveis, mas estas transformações não são apenas tecnológicas e não ocorrem de forma isolada. Durante a próxima década o mundo mudará a um ritmo sem precedentes e estas alterações, se bem geridas, podem levar a uma era de bons trabalhos, de inovação e aumento de qualidade de vida para todos. Por outro lado, se mal geridas podem ampliar o intervalo entre ricos e pobres, aumentar a desigualdade e a exclusão digital. O que, inevitavelmente, nos leva a questionar: E as pessoas?

Seja qual for o ângulo de análise, o panorama parece ser inevitável: com a inclusão do digital no nosso dia-a-dia muitas das tarefas que fazemos hoje serão automatizadas ou sofrerão alterações significativas. Actividades como recolha e tratamento de dados, actividades repetitivas e com alto grau de previsibilidade serão em grande parte feitas por robôs, estando a automação ou não dependentes de factores como: o custo de automação versus o custo dos trabalhadores que podem desempenhar a actividade; os benefícios da automação; as limitações regulamentares; e os impactos e/ou aceitação social. Por sua vez, as pessoas continuarão a acrescentar valor em actividades em que a tecnologia não consegue, actividades que envolvam empatia e em que a componente humana é fulcral, e.g. actividades cognitivas mais complexas e que envolvam componentes de gestão de pessoas, de comunicação, de negociação, de inteligência emocional, de criatividade, de inovação e de ética. (...)

*Associate Partner da KPMG


(Leia o artigo integral na edição 524 do Expansão, de quarta-feira, dia 17 de Maio de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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