Director João Armando

Finanças versus Economia

Finanças versus Economia

Existe uma enorme confusão entre o que é Finanças e o que é Economia. Ou pelo menos o que devia ser. Traçar uma política de apoio ao empreendedorismo, por exemplo, é matéria da Economia. Negociar os atrasados com os fornecedores é Finanças.

Escolher que sectores devem ser priorizados na atribuição de fundos para desenvolverem as respectivas actividades é Economia. Proceder aos pagamentos é Finanças. Ir ao Parlamento explicar o Orçamento Revisto, onde estão espelhadas as políticas de desenvolvimento da Nação, é Economia. Explicar porque é que as verbas definidas no documento não chegaram às Unidades Orçamentadas, é Finanças. Definir que impostos e que valores devem ser cobrados às empresas e cidadãos, é Economia. Garantir e controlar o pagamento dos mesmos é Finanças. Parece estranho, por exemplo, que em toda esta problemática da implantação do IVA, que se trata fundamentalmente de uma medida económica, que vai mexer com todo o tecido produtivo e empresarial do País, não tenha havido uma participação visível do ministro da Economia na explicação da sua necessidade de aplicação, e nas vantagens que pode trazer ao nosso tecido produtivo.
A supervalorização das Finanças é um sinal que a governação dá mais importância aos fluxos financeiros que aos processos produtivos. E isso é pelo menos discutível, quando se pensa em desenvolvimento do País e bem-estar das populações. Esta inversão das prioridades desenvolveu-se numa altura em que as classes dirigentes estavam mais preocupadas na forma de transferirem de um lado para outro os seus fundos, e não sendo de agora, a verdade é que o estatuto do ministro das Finanças no nosso País está acima do ministro da Economia. Tentar equilibrar estas duas funções, dando maior espaço à Economia pode também ser um sinal que alguma coisa está a mudar. Por muito que outros argumentos possam ser utilizados, Angola precisa hoje mais de fábricas do que de agências bancárias.
A estruturação do desenvolvimento do País assenta sob dois pilares - o petróleo e o sistema bancário. E talvez isso possa explicar esta sobrevalorização das Finanças. E é agora, quando a nossa produção de crude está a cair de forma preocupante, que a questão se volta a colocar. Ou seja, olhando durante muitos anos para os relatórios, para os números, deixámos de perceber aquilo que se estava a passar no terreno. Ainda hoje quando se fala do sector industrial, a posição oficial é recordar as linhas de investimento aprovadas e quase nunca das fábricas que estão efectivamente a funcionar. Aliás, este processo de privatizações mostrou que afinal temos algumas unidades apetrechadas, já há alguns anos, mas que nunca funcionaram.
Esta ideia de explicar o desenvolvimento através das notas em vez dos produtos sempre dividiu os homens desde os primórdios das organizações sociais. Está também na base das abordagens políticas do mundo de hoje. Resumindo, e esta é apenas uma opinião, as Finanças vêm o mundo pelos números, a Economia pelas pessoas. E hoje, apesar de todas as dificuldades financeiras que o País passa, parece-me ser mais importante olhar o futuro de Angola pelas pessoas.

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