"Não é rentável ser modelo em Angola"

"Não é rentável ser modelo em Angola"
Foto: D.R.

Formou-se em gestão e trabalha no BNA, mas é mais conhecido pela actividade de modelo. Brevemente, Marco D'Santos planeia também estrear-se no negócio da restauração.

O que mais o cativa na moda?
É a criatividade e a oportunidade de expressar-me de forma única, ao interpretar diferentes personagens através das roupas ou nas sessões fotográficas.

Como define o seu estilo?
O meu estilo é o de alguém que se veste para a ocasião. No dia-a-dia, sou uma pessoa de jeans, t-shirt e ténis. Mas, quando vou trabalhar, gosto de sentir-me elegante, com um bom fato, porque a nossa imagem é o nosso cartão-de-visita. E, em eventos, procuro sempre inovar e ser mais criativo e ousado, sempre com looks e fatos diferentes.

É rentável ser modelo em Angola?
Não é. Em Angola ainda não existe indústria têxtil, o que torna muito complicado o trabalho dos criadores de moda. Desta forma, tornam-se complicados os trabalhos para os modelos, pois são cada vez mais limitados e não são suficientes para se viver da moda. No entanto, servem para abrir outras portas e dar visibilidade. Ser modelo em Angola não é fácil por causa dos baixos cachês, a falta de uma escola de moda, onde os modelos possam aprender os altos e baixos da profissão e o que realmente significa trabalhar neste universo!

Quais são os ícones deste universo que o inspiram?
Em termos de criadores de moda, inspiro-me no estilista português Nuno Gama, por ser alguém ousado nas suas criações, algo com que me identifico. Em termos de modelos, não me inspiro em alguém em particular. Sempre procurei beber um pouco de todos e de tudo o que vejo para construir a minha própria imagem.

Durante um desfile, como se sente?
Muita gente não sabe, mas momentos antes de todos os desfiles que faço sinto sempre um enorme frio na barriga, de ansiedade e muita vontade de fazer xixi [risos]. Mas depois de passar a primeira vez fico mais calmo e tudo corre normalmente.

As fotos de um modelo revelam-nos uma multiplicidade de personagens e até vários lados de uma única personagem. É fácil interpretar essas personagens?
O modelo tem a oportunidade de representar diversas personalidades, encarnar uma personagem e dar-lhe vida, é quase como um actor, mas sem as falas. Sempre fui muito tímido, isso também é algo que muita gente não sabe, por isso, a moda dá-me a oportunidade de ser alguém que não sou. Portanto, para mim, torna-se uma maneira de soltar-me mais, e isto torna-se fácil em frente de uma câmara.

Como consegue gerir os dois métiers, tão distintos?
A minha gestão entre a moda e a banca é muito bem feita, hoje em dia eu já não desfilo tanto por falta de tempo e por ter o meu trabalho no Banco Nacional de Angola (BNA) como prioritário. Hoje, os meus trabalhos no ramo da moda são mais voltados para a representação de marcas e campanhas comerciais.

Quantas marcas representa?
Neste momento, represento a Boutique dos Relógios em Angola e Portugal, Luamar Fitness em Angola e Portugal, Bodyfit Suplementos e a Primagozzi em Angola e, muito em breve, representarei uma outra marca.

O que podemos esperar de si nos próximos meses?
Pretendo fazer mais campanhas comerciais e, no lado empresarial, juntamente com parceiros, vamos abrir um restaurante.

Quando? Pode falar-nos sobre isso?
O restaurante já está em obras e falta muito pouco para a abertura. Prefiro não dizer uma data porque em Angola acontecem coisas que nem mesmo nós conseguimos entender. Mas está tudo encaminhado e, em breve, serei dono/parceiro de um restaurante de gastronomia latina, localizado na Ilha de Luanda.

Como e onde se vê nos próximos 10 anos? Modelo?
Certamente não serei mais modelo [risos], mas sempre com um olhar atento para a moda para auxiliar e ajudar os que precisem. No lado empresarial, vejo-me como empresário de sucesso, não apenas na área de gastronomia mas em outras áreas.

Da gestão à moda "por mero acaso"

Marco D'Santo nasceu em Luanda, tem 35 anos e trabalha no Banco Nacional de Angola (BNA), no Departamento de Sistemas de Pagamentos. Tem um bacharelato em Gestão de Empresas e Mestrado em Gestão de Recursos Humanos, estudos estes feitos no Reino Unido, onde começou a sua carreira de modelo na Ford Models.

Conta que essa actividade começou "por mero acaso", pois nunca teve grande interesse pela moda até ser convidado por alguém que reconheceu o seu potencial. Já em Angola, foi representado pela Step Models. Hoje, Marco D'Santo é representado pela agência Hadja Models em Luanda e em Portugal pela Elite Models, onde é o rosto de várias marcas.

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