"O sector vai crescer exponencialmente nos próximos anos"

"O sector vai crescer exponencialmente nos próximos anos"
Foto: César Magalhães

O ministro Carvalho da Rocha acredita que em três anos este sector vai mudar de forma significativa. Aumentos enormes nos clientes da rede móvel e serviço de net, novos operadores do mercado, privatizações de empresas e lançamento do satélite.

Foi publicado recentemente em Diário da República o Livro Branco das Tecnologias de Informação e Comunicação (2019 - 2022), onde estão plasmados os objectivos do sector para os próximos anos, como o aumento de 48% do numero de clientes de telemóveis e de 85% para os utilizadores de Internet. Para muitos um crescimento demasiado optimista. Não acha?
Em primeiro lugar gostava de dizer que o Livro Branco é para nós a nossa Bíblia. E deixe-me fazer um pouco de História - em 2000 foi lançado o Livro Branco para as Telecomunicações, depois em 2010 o livro branco para as Tecnologias de Informação, e agora este documento, onde reflectimos a nossa visão relativamente ao desenvolvimento do sector para os próximos cinco anos.

Como vão suportar o crescimento assumido no Livro Branco?
Fundamentalmente em três pilares. O primeiro é a consolidação das infra-estruturas, queremos continuar a construir, pois cada vez que as infra-estruturas chegam a um determinado sítio o crescimento de utilizadores é exponencial. Queremos também trabalhar sobre a legislação, garantir formas de expansão dos diversos meios e, por último, o Livro Branco também reflecte a nossa ambição de nos tornar co-líderes aqui na nossa região, uma vez que temos um gigante (África do Sul) lá em baixo. Apostamos também na abertura de mercado, neste momento temos três operadores globais...

Mas apenas dois a operar na rede móvel...
Exacto. Três operadores globais, dois a operar com serviço móvel e um terceiro (Angola Telecom) que operará a num futuro breve nesta área. Depois está a decorrer um concurso para mais uma licença de operador global que incorpora rede móvel. Serão quatro, na verdade. Temos também que fomentar as licenças multisserviços, sendo que um operador que tiver esta licença poderá também fazer rede móvel, só que será de forma virtual, com uma dimensão pequena, mas que contribui para o aumento de utilizadores. Com este conjunto de medidas, achamos que nos próximos tempos podemos assistir a um crescimento exponencial nesta área.

Concretizando, relativamente à Angola Telecom, quando é que vai entrar na rede móvel?
Já tem um sócio para fazer esta operação? A Angola Telecom é uma empresa que está dentro do ambiente de privatizações e estamos a criar condições para que possa aparecer um investidor, que possa não só realizar o serviço móvel, mas também todos os outros serviços que a própria licença global oferece.

A Angola Telecom vai privatizar as suas infra-estruturas ou só o serviço?
Nós estamos ainda a estabelecer um roteiro. Há uma série de estratégias que temos que estudar, e fundamentalmente olhar para como será o mercado. O mercado que nós queremos. Por exemplo, nós estamos a distribuir licenças multisserviços porque queremos que apareçam operadores que possam actuar numa determinada região. Naturalmente que esses operadores não precisam de construir infra-estruturas, mas alguém tem que abrir a infra-estrutura. Nessa estratégia está um caminho que podemos seguir na privatização. Há ainda uma conjunto de questões que temos de discutir.

Significa que ainda não está decidido?
Não. O processo ainda não está decidido, há de facto a intenção de que vamos privatizar, como é público, agora temos que avaliar outras componentes, e isto pressupõe uma análise interna da própria Angola Telecom.

Mas qual é a sua opinião pessoal?
Há que esperar. Do meu ponto de vista precisamos estudar, decidir com calma, e fundamentalmente olhar para dois aspectos - para o mercado e particularmente para os utilizadores. E para aquilo que é a estratégia do Governo para esta área. (...)


(Leia a entrevista integral na edição 537 do Expansão, de sexta-feira, dia 16 de Agosto de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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