Uma estratégia para a segurança alimentar em Angola

Uma estratégia para a segurança alimentar em Angola
Foto: ARQUIVO
EXPANSÃO

É fundamental que o país consiga atingir a sua autosuficiência alimentar no maior número de fileiras de produtos, com especial atenção para aqueles que fazem parte da cesta básica. Tendo em conta os valores do consumo estimado, aquilo que se produz internamente e os volumes de importação, é possível criar políticas para que este objectivo venha a ser atingido.

É extraordinária a velocidade e a mudança que fenómenos como a demografia ou a globalização imprimiram a um Mundo que, mesmo perante hábitos e culturas diversas, se apresenta muito mais exigente, curioso e inovador. Mas devemos observar, e contrariar, o contraste entre sociedades economicamente mais desenvolvidas, com tendência para o desperdício, e outras sociedades ou populações, em qualquer geografia, que se encontram abaixo do limiar da pobreza e a necessitar de políticas eficazes de combate à fome e exclusão social.

As diferentes perspectivas apresentadas pela FAO (2012) e OCDE (2015) apontam para, em 2050, um elevado crescimento populacional (cerca de 9,6 mM de habitantes, um acréscimo de população próximo de 2mM) com importantes fenómenos de mobilidade social (uma classe média próxima dos 3mM), de concentração urbana e de maior procura/dependência alimentar.

Ora, esta nova realidade implica um forte aumento do consumo alimentar (Fig.1), demonstrado pelo acréscimo de kcal/pessoa/dia, atingindo, em 2050, valores médios próximos dos 3.100 kcal/pessoa/dia, e especificamente nos países desenvolvidos, consumos diários, per capita, de aproximadamente 3.500 kcal. Reflecte, ainda, um incremento presente do consumo mundial de carne, per capita, cerca dos 30Kg/ano para um valor estimado de 50kg/ano, em 2050.

Esta variação no consumo igualmente se evidencia nos países em desenvolvimento, com um notório incremento do consumo de carne, per capita de 25 kg/pessoa/ano, para aproximadamente 40kg/pessoa/ ano. Idêntica tendência se constata no incremento observado nas zonas consideradas em desenvolvimento, e em particular na África Subsaariana, relativamente às taxas de calorias consumidas/por pessoa e dia (+ de 600 kcal).

Este enquadramento global torna ainda mais relevante a adopção de estratégias de políticas de segurança alimentar para o nosso Pais. (...)

*Secretário de Estado da Agricultura e Pecuária

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