África necessita dos media tradicionais

África necessita dos media tradicionais
Foto: D.R.

Em Junho, Aliou Sall, o irmão do Presidente senegalês Macky Sall demitiu-se do seu cargo de responsável de um fundo de poupança gerido pelo Estado, depois da indignação pública com alegações (que ele nega) de que estaria envolvido em negócios corruptos no sector petrolífero. Essa indignação foi expressada nas redes sociais e nas ruas de Dacar. Mas foi o jornalismo de investigação, realizado pela BBC, que a desencadeou, sublinhando o poder persistente dos media tradicionais quando é necessário implementar a mudança.

Embora as plataformas das redes sociais mobilizem grande parte da atenção devido à sua velocidade e acessibilidade, uma imprensa livre credível - que não papagueie simplesmente o discurso oficial dos governos ou de interesses específicos, mas que procure a verdade - continua a ser essencial para fortalecer a responsabilização em locais onde esta é, muitas vezes, difícil de encontrar. E os jornalistas de investigação independentes em África têm exposto com frequência situações de corrupção ao mais alto nível, de abuso do poder e de negociatas duvidosas.
Por exemplo, no Quénia, um destacado jornal local relatou que Philip Kinisu, antigo presidente da Comissão de Ética e Anti-Corrupção, recebera pagamentos suspeitos do Serviço Nacional da Juventude. Investigações adicionais ao SNJ revelaram mais situações de corrupção, impelindo os quenianos a sair para a rua em protesto.
Mas quem detém o poder sabe como deve contra-atacar, e não se coíbe de fazê-lo. Consequentemente, em muitos países africanos a imprensa livre está a ser comprometida, reprimida e mesmo desmantelada.

*Investidor em startups de media africanos


(Leia o artigo na integra na edição 542 do Expansão, de sexta-feira 20 de Setembro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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