A imagem do País melhora mas a economia não avança

A imagem do País melhora mas a economia não avança
Foto: Lídia Onde/Arquivo

Dois anos depois de ter tomado posse, João Lourenço conseguiu melhorar bastante a imagem de Angola no estrangeiro, teve sucessos diplomáticos, conseguiu realizar algumas reformas importantes na estrutura do Estado, mas a vida das populações piorou. A economia não avança, a luta contra a corrupção está longe de estar ganha e as práticas não mudaram em muitas instituições. Para muitos a "nova" Angola não está a avançar ao ritmo e com a intensidade das expectativas geradas. Mas a maioria continua a dar o benefício da dúvida.

O factor mais positivo destes dois anos de mandato prende-se com a alteração da imagem internacional do País, antes olhado com enorme desconfiança por parte dos nossos parceiros, hoje com muito maior respeito, numa perspectiva de cooperação que não existia. O factor mais negativo tem a ver com o desenvolvimento económico e social, longe daquilo que eram as projecções do Governo, com problemas graves ao nível do desemprego, da pobreza e da criminalidade.
É também indiscutível que houve alterações significativas no sector produtivo, que tinham de ser feitas, mas que ainda não tiveram tempo de apresentar resultados que sejam sentidos pela população. Uma das medidas mais importantes foi o fim dos monopólios, de que é exemplo o mercado de cimento, onde a Nova Cimangola beneficiava de uma protecção por parte da Sonangol, que instalou inclusive um oleoduto para o fornecimento de combustível, enquanto vendia o mesmo produto a preços exorbitantes aos seus concorrentes.
Estas "facilidades" que as empresas públicas e as instituições do Estado davam a determinados agentes económicos estendiam-se a outros sectores, como as telecomunicações, distribuição alimentar, construção civil ou a importação de combustível, o que levou à falência de muitas empresas, ficando a economia do País, pouco a pouco, na mão destas organizações. Obviamente que o ataque a estes "monstros" construídos de forma desleal iria criar, numa primeira fase, maior desemprego, dificuldade e subida dos preços de produtos e serviços essenciais para uma faixa importante da população. Mas, numa perspectiva de ter um País melhor, tinha de ser feito. O fim do monopólio da Brumangola é um destes exemplos do que tinha de ser feito.

(Leia o artigo na integra na edição 543 do Expansão, de sexta-feira 27 de Setembro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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