"Esta economia ainda não atingiu o seu ponto de equilíbrio cambial"

"Esta economia ainda não atingiu o seu ponto de equilíbrio cambial"

O Presidente da Comissão Executiva do BFA, o segundo maior banco privado em activos, reconhece que os níveis de depreciação da moeda ultrapassaram as expectativas, mas diz que a banca irá responder os desafios da economia.

A depreciação da moeda nacional tem acentuado nos últimos tempos. Como é que olha para esta questão?
De facto o valor da depreciação da moeda em 2019 é superior à nossa expectativa e àquilo que nós tínhamos orçamentado para este ano.

Qual era a vossa expectativa?
A nossa expectativa era que a depreciação da moeda pudesse acompanhar sensivelmente a taxa de inflação, dado o elevado índice de depreciação da moeda em 2018. O que estamos a verificar é que a depreciação já ultrapassou largamente os níveis da taxa de inflação e isso na nossa opinião resulta de que os ajustamentos macroeconómicos que o País necessita fazer são mais significativos daquilo que eram as previsões em 2018, para 2019. Digamos que o ajustamento entre a procura e a oferta de bens e de moedas é maior do que aquilo que era a nossa expectativa inicial e portanto o mercado está a ditar as suas leis. Estamos a acompanhar com muita atenção a evolução do mercado cambial e também do mercado monetário, que estão interligados. Estamos ainda acompanhar a evolução fiscal e o mercado da dívida.

Esta escalada cambial é boa para a economia?
Eu diria que numa economia de mercado é a própria economia que define os seus limites.

Mas tem havido alguma intervenção do BNA neste quesito, por isso o nosso mercado não é tão aberto...
Claro. Não há mercados totalmente liberais. Há mercados em que a intervenção do Estado é maior ou menor em função do contexto, realidade e comparabilidade. Não podemos comparar a economia angolana com outras economias, mesmo em África. Há economias diferentes, em estados diferentes. A sede do corpo é que dita a água que ele tem que beber. Aquilo que observamos é que esta economia ainda não atingiu o seu ponto de equilíbrio cambial, continua a ter necessidade de se corrigir através da depreciação da moeda e não só. Há outras políticas, instrumentos que o BNA tem vindo a implementar. Nos últimos dois anos, a economia deixou o câmbio flutuar e permitiu que o ajustamento entre a procura e a oferta se faça pelo mercado. E isso é necessariamente bom.

É esta flutuação que tem provocado a depreciação do Kz nos níveis em que está...
Sim. Porque já há de facto um grande desajustamento entre a procura e a oferta. Não estou a dizer que bom. Mas é esta necessidade que define a taxa de câmbio e regula a dicotomia entre a procura e a oferta.

A um ano dizia que o sistema bancário é suficientemente resiliente para vencer os desafios da economia angolana. Hoje é da mesma opinião?
Sim. E agora digo com um suporte acrescido. A banca angolana em 2019 foi submetida a uma avaliação da qualidade dos activos, e parafraseando o governador do BNA, "não esperava grandes surpresas deste exercício". Consideramos que este exercício é muito importante para a banca, para a economia e também pela forma como a economia internacional olha para a economia angolana. A nossa expectativa é que esta avaliação da qualidade dos activos venha a introduzir necessariamente algumas correcções. Mas que no essencial confirme a resiliência e a solvabilidade do sistema bancário angolano.

Que correcções espera com o processo de avaliação da qualidade dos activos?
Como em qualquer outro sistema bancário num período de amadurecimento, exige que os bancos tenham capital. E este aspecto é absolutamente crítico para o funcionamento da economia. E por isso a avaliação é para aferir a em que medida alguns dos bancos do sistema bancário como um todo necessitam ou não de reforço de capital. E havendo esta necessidade, que é absolutamente normal, esse reforço pode se fazer por várias formas. Com capital novo que é alocado aos bancos ou porque os bancos decidem reforçar-se entre si através de movimento de concentração, e este aspecto não é de descartar na banca angolana. É um processo natural e saudável que possa vir acontecer e permitirá ter em Angola bancos maiores, mais fortes. Isso é importante para o acompanhamento da economia e sobretudo para o apoio de projectos mais estruturais, de maior dimensão e também empresas de maior dimensão. O apoio que os bancos podem dar à economia está muito dependente da dimensão do seu balanço e por isso as sinergias que possam resultar de eventuais fusões de bancos é importante porque permite ter bancos nacionais que apoiem a economia nacional. (...)


(Leia o artigo integral na edição 547 do Expansão, de sexta-feira, dia 25 de Outubro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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