Corte na liquidez secou bancos mas não travou procura de divisas na rua

Corte na liquidez secou bancos mas não travou procura de divisas na rua

Bancos estão a comprar menos divisas, o que faz disparar a procura nas ruas. "Gap" entre os bancos e as ruas de Luanda volta a estar acima dos 30%, bastante acima do objectivo do Governo que apontava a 20% no final do ano passado.

As últimas medidas de controlo cambial anunciadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) parecem estar a ter efeitos contrários. Quando se esperava por uma queda mais ou menos acentuada na taxa de câmbio do mercado informal face ao formal, no sentido de diminuir o diferencial ou "gap" entre ambos, o mercado das ruas reagiu e continua a subir o valor dos dólares e dos euros face à moeda nacional.

A diminuição desse diferencial é um dos principais objectivos das recentes reformas operadas pelo banco central, nomeadamente com a aplicação de uma politica monetária mais restritiva para permitir a liberalização do mercado cambial.

Entre essas reformas, está a "seca" de liquidez que resulta do aumento de 17% para 22% no coeficiente de reservas obrigatórias, mas também a remuneração a uma taxa de 10% ao ano dos depósitos dos bancos comerciais no banco central.

Ao que mostram os números, o banco central só conseguiu enxugar liquidez na banca (há bancos que já nem a leilão vão devido a níveis baixos de recursos). Mas não travou a corrida de particulares e algumas empresas ao mercado paralelo.

Para medir isso, basta olharmos, mais uma vez, para os números: nos quatro leilões que decorreram entre 5 e 12 de Outubro, nos quais participaram entre 6 a 10 bancos, o banco central só conseguiu colocar 65,5% dos 80 milhões de euros que estavam em leilão.

Só não foi possível apurar, nos leilões, a que bancos ou entidades financeiras o regulador fez o rateio de divisas. Ou seja, o resumo dos leilões do BNA não trazem os nomes dos bancos que levaram para "casa" as divisas dos leilões.

Depois de anunciadas as medidas a 24 de Outubro, com seu ponto mais alto na retirada do limite de 2% sobre a venda ou compra de divisas pelos bancos e com isso a abrir a liberalização do mercado, a expectativa era ver o Kwanza continuar a depreciar face ao dólar e ao euro. Foi o que aconteceu até 4 de Novembro, dia em que os bancos estavam obrigados a aumentar as suas reservas obrigatórias no banco central. De lá para cá, tem-se assistido a uma apreciação continua do kwanza face às moedas estrangeiras, já que os bancos não têm tido liquidez para ir aos leilões de divisas (ver infografia).

A 4 de Novembro, a taxa média de câmbio ponderada calculada no leilão era de 557,017 Kz por euro, enquanto nas ruas cada euro custava 740 Kz, traduzindo-se num diferencial, ou "gap", de 32,9%. (...)

(Leia o artigo integral na edição 550 do Expansão, de sexta-feira, dia 15 de Novembro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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