Geingob Hage reeleito numa votação marcada pela corrupção

Geingob Hage reeleito numa votação marcada pela corrupção
Foto: D.R.

Apesar de um primeiro mandato prejudicado pela seca extrema, que fez cair o PIB e duplicar a dívida pública, o Presidente Geingob Hage garantiu a reeleição, numas eleições ensombradas pelo escândalo de corrupção, que envolve a ex-ministra angolana das Pescas. A SWAPO também venceu, mas viu reduzida a sua margem.

A pior seca dos últimos 90 anos, que colocou o país em estado de emergência até Março de 2020, o elevado desemprego e um escândalo de corrupção, em torno de um acordo de pescas com a Islândia e que envolve Angola, não puseram em causa a reeleição do Presidente Geingob Hage, para um segundo mandato, nem a vitória do SWAPO (Organização Popular da África Ocidental), que governa o país desde a independência, em 1990.

Mas quer um, quer outro, viram descer significativamente a percentagem de votos, como previam as sondagens. Quando estavam contabilizados 25% dos votos, a SWAPO, com 62%, via ameaçada a maioria de dois terços na Assembleia Nacional e a margem de 80% conquistada em 2014. E Hage seguia à frente, com 55,78%, suficientes para a sua reeleição, mas longe dos 87% da sua primeira eleição, após uma campanha renhida, com nove candidatos, entre os quais se incluía a primeira mulher.

Esther Muijangue, de 57 anos, estreou-se com o foco apontado à corrupção, assim como Panduleni Itula, um dentista e advogado de 62 anos, que validou a sua candidatura em Outubro, e que seguia em segundo nos resultados preliminares, com 21,4% dos votos. Itula, que passou parte da sua vida no Reino Unido, tendo regressado ao país em 2013, contou com o apoio de dois dos principais partidos da oposição, os Combatentes da Liberdade Económica da Namíbia e o Partido Republicano, com um programa centrado na redistribuição de terras e moradias, combate à corrupção e redução do tamanho do governo.

A corrupção acabou por ser o tema dominante da campanha para as eleições desta quarta-feira, após um consórcio de jornalistas, suportado em documentos da Wikileaks, ter revelado subornos de uma empresa de pesca islandesa, num acordo transnacional, que envolve a ex-ministra das Pescas angolana, Victória de Barros Neto.

Os ministros da Justiça e das Pescas foram demitidos, mas o escândalo não pôs em causa a hegemonia do SWAPO. Tão pouco o contexto económico.

Com um terço da população desempregada e uma taxa de desemprego jovem de 43%, a Namíbia defronta-se com a queda do Produto Interno Bruto, desde 2016, e viu o nível de endividamento duplicar, saltando dos 23% de 2014 para 49% em 2019. Cenário agravado pela seca extrema, que obrigou o Presidente Geingob a declarar, em Maio de 2019, pela segunda vez no seu mandato, o estado de emergência. Estado que "foi prorrogado em Outubro por mais seis meses, até Março de 2020", como refere Liesl Louw-Vaudran, investigadora do Instituto de Estudos de Segurança, com sede em Pretória, África do Sul, numa análise às eleições, onde estima em 50% a perda de produção agrícola. (...)

(Leia o artigo integral na edição 552 do Expansão, de sexta-feira, dia 29 de Novembro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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