Dívida pública de novo nos 60% do PIB só com crescimento económico a 10%

Dívida pública de novo nos 60% do PIB só com crescimento económico a 10%

O endividamento público de Angola está próximo dos 100% do PIB e é um dos principais obstáculos ao crescimento da economia, já que em vez de apostar no denominado "bom investimento", que gera riqueza, emprego e desenvolvimento, o Estado canaliza os seus recursos para pagar "kilapis".

Baixar o rácio da dívida pública para valores próximos dos 60% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2025 só com crescimento económico anual de 10%, revela o relatório económico de Angola de 2018 apresentado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, apresentado esta semana.

A redução nas receitas petrolíferas e a desvalorização da moeda nacional face ao dólar fizeram disparar a dívida pública para valores próximos dos 100% do PIB, pondo em causa a sua sustentabilidade que, de acordo com o CEIC, ronda os 60% do PIB.

No final de 2013, o País tinha uma dívida de 35% do PIB e, no final do ano passado, a dívida cresceu para 87,8% e com perspectiva de chegar a 91% no final de 2019.

A "única forma de fazer com que a dívida pública em Angola volte aos níveis normais de 60% do PIB" é com "uma taxa de crescimento de 10% [ao ano], que é o PIB potencial, ou seja, é a capacidade máxima da economia angolana de gerar crescimento, mas estamos muito distantes disso", garante o economista Precioso Domingos.

A solução para sair do "aperto", de acordo com o membro do CEIC, é fazer com que a economia se desvie da actual trajectória de três recessões económicas consecutivas e a caminho de uma quarta, como já reconheceu o Fundo Monetário Internacional, o Governo, e várias instituições internacionais.

Para Precioso Domingos, a saída desta crise passa pelo emprego mas também pela implementação de programas sociais, com o apoio de instituições como o Banco Mundial, que está a implementar um programa de transferência de renda para as famílias na ordem dos 5 mil Kz por mês.

No entanto, o também economista admite que só isto não chega, já que estas medidas ficam condicionadas pelo endividamento público, já que o Governo está obrigado a pagar dívida em vez de apostar no investimento. (...)

(Leia o artigo integral na edição 552 do Expansão, de sexta-feira, dia 29 de Novembro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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