Entra Gemcorp por "ajuste directo" e saem desconhecidos da United Shine

Entra Gemcorp por "ajuste directo" e saem desconhecidos da United Shine
Foto: D.R.

http://www.expansao.co.ao/artigo/123406/gaydamak-processa-sonangol-e-ministro-apos-perder-refinariaA 30 de Outubro, apenas dois dias depois de rescindir o contrato assinado em Junho com a United Shine, que tinha sido escolhida entre sete candidaturas finalistas de um concurso internacional lançado em 2017, a Sonangol adjudicou à Gemcorp o projecto de construção da Refinaria de Cabinda.

A Refinaria de Cabinda já não será construída pela United Shine, em parceria com a Sonaref, o consórcio escolhido no âmbito de um concurso internacional iniciado em 2017. A Sonangol concluiu que este consórcio não cumpre todos os requisitos e por isso decidiu, a 30 de Outubro, adjudicar o projecto à Gemcorp Capital LLP, o grupo de gestão de fundos de investimento sediado em Londres, que nos últimos anos tem assumido o papel de um dos maiores financiadores de Angola e que, como o Expansão revelou na edição de 8 de Novembro, está envolvido em vários financiamentos que levantam dúvidas de transparência e natureza legal.

A decisão foi comunicada à United Shine a 28 de Outubro e o consórcio registado em Hong Kong estará a ponderar avançar com um processo arbitral contra o Estado, facto que a Sonangol, em resposta ao Expansão, diz desconhecer, assim como "qualquer fundamento para tal".

Parte desta informação fora já revelada a 20 de Novembro pela Africa Intelligence, uma publicação económica especializada, que conta uma versão ligeiramente diferente da avançada pela Sonangol, a mudança está também relacionada com a alegada relação do consórcio ao empresário russo-israelita Arcadi Gaydamak, envolvido em vários negócios problemáticos com o anterior regime angolano (Angolagate, Ascorp, etc.).

Num artigo posterior, a 2 de Dezembro, a Africa Intelligence conta que o plano de Gaydamak era adquirir uma refinaria líbia instalada na Suíça e trazê-la para Cabinda. Trata-se da refinaria de Collombey, no cantão de Valais, desactivada desde 2015 e propriedade da Tamoil, uma empresa pública líbia que tem centenas de postos de combustível na Europa.

O negócio poderia chegar aos 2 mil milhões USD, envolveria também uma empresa libanesa, a BB Energy, e teria o apoio financeiro do banco russo VTB Bank, informação confirmada publicamente por vários responsáveis.

O negócio parecia bem encaminhado quando, a 4 de Junho, na abertura da Conferência África, Petróleo e Gás, em Luanda, a Sonangol formalizou o "acordo de sócios" com a United Shine, num consórcio detido a 90% pela sociedade de Hong Kong e em 10% pela Sonaref, subsidiária da Sonangol, e que já tinha sido escolhido em Novembro de 2018 na sequência de um concurso internacional iniciado em 2017 e ao qual concorreram mais de seis dezenas de empresas.

Segundo a Africa Intelligence, as relações entre Angola, nomeadamente entre o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleo, e o consórcio, só terá começado a deteriorar-se no início de Agosto, após uma reunião realizada em Luanda. A mesma fonte adianta, ainda, que boa parte da decisão de mudança de parceiros ocorreu no Fórum Económico Rússia-África, realizado em Sochi, a 23 e 24 de Outubro, durante o qual a delegação angolana encabeçada pelo presidente João Lourenço reuniu com diversas entidades, entre as quais a Gemcorp. (...)


(Leia o artigo integral na edição 553 do Expansão, de sexta-feira, dia 6 de Dezembro de 2019, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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