Toxicidade de Isabel dos Santos dispara e facilitadores saltam fora

Toxicidade de Isabel dos Santos dispara e facilitadores saltam fora
Foto: D.R.

A empresária foi constituída arguida por alegada má gestão e desvio de fundos durante a passagem pela Sonangol. Quatro portugueses são suspeitos de branqueamento de capitais, abuso de poder, falsificação e tráfico de influências. PGR já admitiu que emitirá mandados de captura se não vieram a Angola.

A investigação que envolveu mais de 120 jornalistas de todo o mundo revela que a fortuna de Isabel dos Santos foi construída sobretudo à custa de decretos presidenciais do seu pai, contando com o auxílio de grandes consultoras internacionais e especialistas em esquemas financeiros que lhe permitiram movimentar capital ocultando a sua origem.

Se mais recentemente a banca europeia "fugia" de empresas ligadas a Isabel dos Santos, já que a sua condição de Pessoa Politicamente Exposta (PEP) fazia dela uma pessoa "tóxica" para as instituições financeiras, já que estão obrigadas a cumprir regras apertadas de compliance, esta toxicidade aparentemente não foi reconhecida por consultoras como a PricewaterhouseCoopers (PwC) ou a Boston Consulting, a KPMG ou a Deloitte, Ernst & Young ou KPMG. As duas primeiras são apontadas pela investigação como fazendo parte de um grupo dos principais facilitadores, que inclui renomados advogados portugueses, que criaram empresas de fachada para movimentar dinheiro de Isabel dos Santos e do seu marido Sindika Dokolo.

Se as instituições financeiras estão sujeitas a requisitos regulatórios rigorosos, mesmo que por vezes não sejam cumpridos - algo que o Banco de Portugal diz estar a apurar em relação ao banco no qual a engenheira é principal accionista, o EuroBic, que serviu para transferir vários milhões para uma empresa offshore no Dubai depois de ter sido exonerada da Sonangol - o mesmo não acontece em relação a estas consultoras, mesmo que quer nos EUA quer na União Europeia existam órgão reguladores que supervisionam as suas actividades.

A questão é que grande parte do trabalho destas consultoras ocorre fora do alcance dos reguladores ocidentais. Embora sediadas nas principais cidades ocidentais, a indústria opera num modelo no qual as redes globais de empresas afiliadas compartilham a mesma marca, mas são geralmente entidades legais independentes, vinculadas apenas pelas leis locais, na maioria dos casos.

Ora, se os bancos "correm como o diabo da cruz" quando ouvem falar em Isabel dos Santos, conforme revela um email de um funcionário da engenheira referindo-se ao Banco Santander em 2014, que razões levam a que consultoras internacionais não o façam? Porque "a estrutura de incentivos torna ainda muito fácil e lucrativo, e suficientemente seguro, para se envolverem", revela Markus Meinzer, director de sigilo financeiro na Tax Justice Network, grupo que estuda fuga a impostos e regulamentação financeira, citado no âmbito da investigação. (...)


(Leia o artigo integral na edição 558 do Expansão, de sexta-feira, dia 24 de Janeiro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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