Queda na exportação de crude corta saldo da balança comercial em 22% para 14,9 mil milhões USD

Queda na exportação de crude corta saldo da balança comercial em 22% para 14,9 mil milhões USD
Foto: DR

O peso do petróleo na balança comercial angolana é de tal forma significativo que nem mesmo a diminuição em mil milhões USD nas importações conseguiu evitar esta descida. Para 2020 está dado o alerta: a China comprometeu-se a comprar mais petróleo aos EUA e pode impedir regresso ao crescimento económico.

As trocas comerciais angolanas nos primeiros nove meses de 2019 caíram 15% para 36,956 mil milhões USD face ao período homólogo de 2018, sobretudo devido à queda na exportação de petróleo. As vendas ao exterior caíram 17% e as importações diminuíram 8%, com o saldo da balança comercial nos primeiros nove meses do ano passado a cair 22% para 14,875 mil milhões USD face ao período homólogo de 2018.

De acordo com cálculos do Expansão com base no relatório de Estatísticas Externas sobre as importações e exportações do Banco Nacional de Angola (BNA), a diminuição em 16% do valor das exportações de petróleo, que passou de 28,0 mil milhões USD para 23,5 mil milhões é o principal responsável pela queda de 22% no saldo da balança comercial na comparação entre os meses entre Janeiro e Setembro de 2019 com o mesmo período de 2018. Os 23,5 mil milhões USD em petróleo bruto exportado é equivalente a 91% dos 25,9 mil milhões USD do total das vendas ao exterior.

O peso do petróleo na balança comercial angolana é de tal forma que nem mesmo a diminuição em mil milhões USD nas importações conseguiu evitar esta descida no valor das trocas comerciais. Os bens alimentares foram o grupo de mercadorias com maior queda, descendo dos 2,3 mil milhões USD para 1,9 mil milhões, menos 424 milhões que entre Janeiro e Setembro de 2018.

Destaque ainda para as restantes exportações: a venda de gás caiu 38%, de refinados de petróleo 37% e a venda dos produtos da diversificação económica (pescado, madeira, bebidas, café, entre outros) também caiu 29% para quase insignificantes 106 milhões USD. Só os diamantes contrariaram a tendência de descida nas exportações, com uma subida de 14% nas vendas para 879 milhões USD.

Quanto à queda de 424 milhões USD na importação de bens alimentares, aconteceu no ano em que o Banco Nacional de Angola (BNA) colocou menos divisas na banca comercial desde 2007, um total de 8.445 milhões USD em todo o ano de 2019. Mas a falta de divisas é só uma parte da questão, admite Tiago Dionísio, economista-chefe da consultora Eaglestone.

"A redução do investimento público e o menor dinamismo da actividade económica nos últimos anos resultou numa queda bastante relevante na procura de alguns bens que Angola costuma importar, nomeadamente máquinas, aparelhos mecânicos e eléctricos que representam cerca de 25% do total das importações do país", sublinha. (...)


(Leia o artigo integral na edição 561 do Expansão, de sexta-feira, dia 14 de Fevereiro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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