"A arte é o caminho mais simples e fácil para diversificar a economia"

"A arte é o caminho mais simples e fácil para diversificar a economia"

Foi distinguido no Brasil com o Prémio Desenvolvimento-Santo Amaro, ao lado de várias personalidades brasileiras. Escritor e pintor, tem agora uma editora para autores independentes. Apesar de estar longe, a crise que assola o País também afecta os seus projectos.

O que representa para si o Prémio Desenvolvimento-Santo Amaro, com que foi distinguido no Brasil?
O prémio representa uma certa maturidade do trabalho social que venho desenvolvendo há um bom tempo no Brasil e em Angola, numa tentativa de fortalecer os laços entre os dois países, por meio da arte e da cultura.

Como é ser o primeiro africano a receber o prémio?
Sinto-me muito lisonjeado. De facto, é um marco para a comunidade de imigrantes africanos na cidade de São Paulo.

Já sabia da nomeação?
Recebi o comunicado com três meses de antecedência. No momento, não acreditei muito porque, em geral, o prémio é mais para nacionais e, no meu entendimento, não incluía estrangeiros.

É um homem muito ligado à arte. Gosta mais de escrever ou de pintar?
Gosto dos dois, mas tenho fases. Actualmente, estou a escrever mais do que a pintar. Criei uma editora para autores independente e, até ao momento, a actividade tem-me ocupado bastante, com a edição de livros de diversos autores. Desde a sua segunda obra que tem estado a fazer os lançamentos no Brasil.

Sente-se mais identificado com o mercado brasileiro?
Sim, o Brasil escolheu-me, o público brasileiro consome muito os meus trabalhos literários, identifica-se muito com o que escrevo. Os dois últimos livros que publiquei são Alcateia Pretos Fora da Génesis e a A Sociedade dos Outros. Esses livros, dos meus, foram até hoje os mais vendidos e consumidos pelo público brasileiro.

Para quando o próximo livro?
Este ano, entre Maio e Julho, poderei publicar o livro "Maria Madalena - O Mito Africano". Parte dele está escrito em Umbundo, com tradução para o português. É um livro com base num mito, numa historia de campo que nasceu numa das comunas no Bailundo.

Como é que a arte pode ajudar na diversificação da economia?
A arte é o caminho mais simples e fácil para diversificar a nossa economia. No Brasil, por exemplo, a arte também tem sido um dos factores principais do crescimento leve da economia. Em Angola, muitos não conhecem a economia criativa, mas esse tipo de economia só é possível com a promoção da arte e da cultura. O artista não deve esperar pelo Governo ou pelo empresário para fazer arte, o artista de verdade faz arte com o que tiver em mãos, é preciso saber criar.

A crise em angola acabou por afectar algum projecto seu?
Sim, de alguma forma, tem afectado. Tenho feito o meu trabalho em prol da sociedade angolana de acordo com os meus limites. Muita gente me pede carta de chamada para vir para o Brasil e tenho dado alguma assistência assim que as pessoas chegam ao Brasil. Temos uma juventude que sonha muito e sinto que, apesar dos problemas sociais em Angola, temos a oportunidade de testemunhar o começo das ideologias no País. Sabemos que aconteceu um apagão da nossa história, mas os jovens estão cada vez mais atentos e à procura de nova informação sobre a história e a sociedade pós colonial. Eu acredito que estamos perto de uma mudança radical em Angola.

Isidro Sanene entre a docência e as artes plásticas

Isidro Sanene está dividido entre a docência, a escrita e a pintura. Natural de Benguela, onde lançou o seu primeiro livro, reside no Brasil, para onde foi à procura de "melhores condições de vida".Gosta de cozinhar e considera a cozinha como o seu lugar preferido da casa. Isidro considera-se um homem sem tempos livres, uma vez que gosta de criar a todas as horas.

Sobre a música, diz que gosta de ouvir a cantora Charlotte Dipanda, Chidinma, Flavour, Kari Jobe, Lauren Daigle, Gabriel Tchiema, entre outros nomes da música, como os Pentatonix. Gosta muito de ler e tem na mesinha de cabeceira o livro "A vida é uma arte", do autor brasileiro Belisário Marques. Casado e pai de três filhos, Isidro Sanene pretende criar uma rede de jovens empreendedores que estejam dispostos a promover a economia criativa e colectiva, em prol do desenvolvimento local.

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