Levantamentos de dinheiro lá fora por angolanos 'bloqueado' há mais de três anos

Levantamentos de dinheiro lá fora por angolanos 'bloqueado' há mais de três anos
Foto: César Magalhães

Apesar das descida das operações com cartões internacionais no estrangeiro, a nível interno os números revelam que em apenas cinco anos está a crescer a bancarização da população angolana, que cada vez mais recorre aos serviços bancários para movimentar os seus rendimentos.

Os detentores de cartões de débito de marca internacional Visa ou Mastercard emitidos em Angola estão desde 2017 sem fazer uma única transacção de levantamento de notas no exterior, um "bloqueio" que caminha para o quarto ano, indicam as mais recentes estatísticas do sistema de pagamento compiladas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) e a Empresa Interbancária de Serviços (Emis).

No mesmo período (2017-2019), e para o mesmo tipo de cartão, apenas foi realizada uma única operação, quando nos três anos anteriores as operações se situavam entre os 2 milhões e mais de 200 mil ao ano.

As estatísticas não dão explicações da não realização de operações de levantamento de notas por nacionais ou por outro detentor de cartão de débito emitido no País, mas as causas remontam ao início da crise do petróleo, que fez deslizar para níveis baixos as receitas em moeda estrangeira provenientes da venda do barril de crude no mercado internacional.

Esta crise obrigou a que as instituições bancárias nacionais adoptassem medidas restritivas na concessão e utilização de cartões de marca internacional, fossem eles de débito, crédito ou pré-pagos. Em Angola, e na sequência dessas alterações, os bancos de Fomento Angola (BFA), de Poupança e Crédito (BPC) e pares fizeram sair comunicados que alteraram os termos e condições para adesão e uso dos cartões.

O banco "campeão" dos lucros, o BFA, mantém restrição. E só faz renovação de cartões Visa para quem já os detém, segundo apurou o Expansão junto da administração daquela entidade bancária.

Ao contrário do BFA, o BIC aceita novas adesões de clientes para cartões pré-pago, ou seja, os recarregáveis, mas não emite cartões de crédito. O banco definiu como condições de adesão aos cartões pré-pagos ter um salário domiciliado e saldos médios na ordem dos 500 mil Kz.

Quem também está a emitir cartões de crédito e pré-pagos é o Banco Económico (BE) e o BCI. Segundo fonte da sua direcção comercial, para aderir basta que o requerente seja cliente com salário domiciliado e disponha de saldos à altura do plafond que solicita. Por outro lado, o Expansão apurou que o BAI também está a emitir cartões de crédito, com um plafond a variar entre os 5.000 USD e 25.000.

Só que o banco solicita ao cliente um colateral equivalente a "120% do planfond que ficará cativo", admitiu uma fonte da instituição bancária. Contas feitas, para obter um cartão de crédito no BAI, o banco cativa entre 6.000 USD a 30.000 USD, ou seja, à taxa de câmbio desta quarta-feira esses valores a cativar variavam entre 3 milhões Kz a 15 milhões. (...)

(Leia o artigo integral na edição 563 do Expansão, de sexta-feira, dia 28 de Fevereiro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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