É preocupante a desarticulação sectorial no processo de diversificação da economia

É preocupante a desarticulação sectorial no processo de diversificação da economia

No texto passado, ilustrámos que o sector secundário e, muito particularmente, a indústria transformadora é aquela cuja taxa de crescimento está intimamente ligada à taxa de crescimento económico (Kaldor, 1989), uma vez que um aumento da produtividade no sector industrial faz crescer a produtividade nos demais sectores (agricultura, comércio, serviços, transportes).

Ao tomarmos conhecimento que o Presidente visitou na semana passada a Nova Textang II, uma das três unidades têxteis reabilitadas num valor global de 1,2 mil milhões USD (235 milhões USD a Nova Textang II, 480 milhões USD a Satec e a África Têxtil 410 milhões USD), achámos por bem hoje apresentar outros exemplos da desarticulação sectorial no processo de diversificação da economia.

O programa de reabilitação da indústria têxtil, segundo o jornal Expansão de 6 Outubro 2017 previa que as três fábricas reabilitadas fossem satisfazer cerca de 70% da procura interna (presumimos que os restantes 30% fossem satisfeitos por outras fábricas a serem criadas ou via importação). Esperava-se que 30% do total da capacidade produtiva dessas unidades fossem direccionados para a exportação.

Passados quase 3 anos, a produção da principal matéria-prima o algodão continua "esquecida". Naquela altura, a demanda anual para estas 3 unidades era estimada em 20 mil Ton. Notem que o País já gastou cerca de 65 milhões USD para a produção de algodão no Kwanza Sul e que o projecto está paralisado há 12 anos! Ao preço de 1,72 USD/Kg de algodão em 2019 nos mercados internacionais, Angola precisa agora de gastar cerca de 34,4 milhões USD/ano.

Sobre a necessidade de África se industrializar, as nossas pesquisas indicam que, desde os anos 80, altura dos programas de ajustamento estruturais a que muitos países africanos foram sujeitos, instituições financeiras como o Banco Mundial e o FMI têm desencorajado a implementação de políticas industriais mesmo existindo provas concretas de países em que tais políticas foram implementadas com sucesso (Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, China). Porém, alguns países têm adoptado políticas de desenvolvimento pragmáticas e isso tem resultado num crescimento industrial assinalável nos últimos anos, caso da Etiópia e do Vietname. (...)

(Leia o artigo integral na edição 563 do Expansão, de sexta-feira, dia 28 de Fevereiro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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