Tempos difíceis estes

Tempos difíceis estes

Não sabemos o tempo que irá durar, as consequências e impactos na economia. Os pequenos negócios que sobreviviam dia a dia, as pessoas que dependem do trabalho diário para sobreviver, o que será de toda esta gente? Nenhum Estado está preparado para isto, as respectivas providências não têm fundos suficientes para ajudar todos.

Tempos estranhos estes... desde que me lembro de ser gente que nunca vivi algo semelhante. Vivemos hoje tempos difíceis, de desconfiança, de incerteza, do desconhecido. Não sabemos o que será anunciado na hora seguinte. No minuto seguinte. Apenas sabemos que temos de estar em casa. Em isolamento. Em quarentena voluntária. E quando temos de sair de casa, cumprir distanciamento social. E todos estes são conselhos que devemos seguir à risca. Sem pestanejar. Porque deste comportamento pode sair um maior controlo do que estamos a passar.

É estranho quando saímos de casa. Quando passeio os meus cães, por exemplo. Vizinhos e amigos que até há duas semanas cumprimentávamos efusivamente, hoje lançamos um olhar discreto, mas simpático, quase sem nos olharmos directamente, pelo receio que um perdigoto contaminado, ao dizer bom dia, nos possa atingir. Até os cães ficam perplexos e até eles devem pensar "estes humanos devem estar loucos". Mas não estão.

Pessoas de máscaras e luvas, até de luvas de cozinha, porque as outras estão esgotadas em todo o lado. Disse atrás máscaras? Também já é difícil encontrar, pelo que qualquer cachecol, ou outro acessório, serve para proteger a cara. Sim, em todo o lado. Supermercados com filas intermináveis, mas por uma boa razão, para limitar o número de pessoas lá dentro a fazer compras. Farmácias idem.

Somos um povo tradicionalmente quente, amistoso e de contacto. Gostamos do toque, do abraço, do beijo e isso é, possivelmente, uma das coisas que mais falta nos faz. Também gostamos, e muito, do convívio, do almoço, do jantar, do copo, do café. De falar de futebol, da política, dos cães, de tudo e de nada, e também não temos isso. Até temos. Mas virtualmente, pelos canais das redes sociais.

Estamos tensos, nervosos, com medo. Sim, com medo. Não sabemos onde está o bicho invisível e não sabemos em que podemos tocar. Bem, até sabemos. Não podemos tocar em nada. Mas isso é difícil. Uma maçaneta, uma porta, um elevador... todos os cuidados são poucos, e para tal, o ideal é ter gel desinfectante à mão. Mas espera, também está esgotado. Ninguém se preparou para algo semelhante. O que não é criticável. Como o poderíamos saber? Bem...o Bill Gates, numa Ted Talk, em 2014, previu este cenário e alertou o mundo que iria acontecer... mas ninguém fez nada. (...)


(Leia o artigo integral na edição 566 do Expansão, de sexta-feira, dia 20 de Março de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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