Estado de emergência

Estado de emergência

Se olharmos apenas para informação actual que é pública sobre o impacto da Covid-19 na vida do País, pode considerar-se que a declaração do estado emergência será excessiva. Isto tendo em conta o número de infecções em comparação com outros países, o próprio ambiente social, que não é de pânico, aliás, as acções de maior histeria vêm das elites urbanas, a situação económica das populações, que se tiver limitações na sua actividade diária terá muitas dificuldades em sobreviver, e a falta de condições de habitabilidade de uma grande fatia da população, que na verdade não tem condições que possam garantir um período efectivo de quarentena (não tem água, luz, nem saneamento básico, etc).

Por outro lado, tendo em conta aquilo que é a capacidade de resposta do nosso Serviço Nacional de Saúde, a qualidade das instituições oficiais, o comportamento dos cidadãos, a falta de disciplina e rigor da gestão corrente da coisa pública, pode justificar- se esta medida, pois em caso de uma onda de contágio, o impacto será enorme. Por isso, é melhor garantir que não chega ou que chega muito pouco.

O estado de emergência terá um impacto grande na vida das empresas e das unidades económicas, que certamente terá sido medido, o agravar da taxa de desemprego, muitas das relações laborais são frágeis, sendo que será o Estado que vai ter de segurar os rendimentos dos cidadãos e das empresas.

O preço deste Estado de Emergência terá sido certamente equacionado, atendendo ao facto de o País não ser capaz de gerar riqueza para fazer face a esta situação e o caminho ser mais uma vez o endividamento. Obviamente que a solidariedade internacional pode ajudar, mas não será tudo. Aliás, a implantação do estado de emergência parece mais "talhada" para as preocupações das populações urbanas dos centros das cidades do que para as necessidades das populações mais desfavorecidas.

Existem algumas questões que devem ser levadas em conta nesta análise. O Governo ter informações que não tornou públicas e que apontam claramente neste sentido, as vantagens políticas que se podem tirar a médio prazo da dramatização das situações de desastres e calamidade públicas, e a importância de "atacar"o mais cedo possível uma situação que na verdade ninguém sabe como vai acabar.

Com a decisão tomada aumenta também a responsabilidade daqueles que zelam pelos interesses dos cidadãos e que têm de estar atentos para que não se cometam excessos ao abrigo deste estado de emergência. Isto inclui-nos. Façamos a nossa parte!

(Editorial da edição 567 do Expansão, de sexta-feira, dia 27 de Março de 2020, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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