Salvar o BPC custa quase 5 mil milhões aos cofres do Estado

Salvar o BPC custa quase 5 mil milhões aos cofres do Estado
Foto: César Magalhães

Entre recapitalização e transferência de crédito malparado para a Recredit, os contribuintes vão pagar quase 1,8 biliões Kz até 2024. Mas os dinheiros públicos para salvar o banco podem não ficar por aqui, já que o BNA o tem "subsidiado" ao longo dos anos. Falta de garantias dos clientes dificulta cobranças.

Quando ficar concluído, o processo de recuperação do Banco de Poupança e Crédito (BPC), dentro de quatro anos, terão saído dos cofres públicos quase 5 mil milhões USD desde 2015, entre aumentos de capital e transferência de crédito malparado para a Recredit, de acordo com cálculos do Expansão.

O Estado vai injectar este ano mais 168,7 mil milhões Kz no BPC, elevando para 611,6 mil milhões Kz, os dinheiros públicos que entraram no banco desde 2015, por via de aumentos de capital. Salvar o maior banco estatal contemplou também a transferência de crédito malparado para a Recredit, a entidade pública especializada na recuperação de crédito malparado, designada no jargão económico por "banco mau".

Ao todo, desde 2016, o Estado emitiu 461,1 mil milhões Kz em dívida pública para injectar capital na Recredit. Uma parte desse valor, 231,1 mil milhões Kz, foram para custear a transferência da primeira carteira de crédito malparado do BPC para a instituição. A Recredit está já a preparar a aquisição da segunda carteira de malparado do BPC, no valor de 951 mil milhões Kz, pagando apenas 6% desse valor, equivalente a 57 mil milhões Kz, já que é o crédito com possibilidade de ser recuperado (ver peça ao lado).

Assim, contas feitas, dentro de quatro anos, quando terminar a operação de limpeza da carteira de crédito malparado, o Estado terá gastado 1,8 biliões Kz para salvar o BPC, entre aumentos de capital e transferência de malparado. Trata-se de aproximadamente 5 mil milhões USD (convertidos às taxas de câmbio médias de cada ano).

Segundo o último relatório e contas divulgado, referente ao exercício de 2018, o banco tinha uma carteira de crédito de 1,2 biliões Kz, dos quais 834 mil milhões eram crédito vencido. Ou seja, 69% do total do crédito era malparado. Ainda assim, representou uma melhoria face aos registos de 2017, em que do total de 1,3 biliões Kz de crédito concedido, cerca de 1 bilião era crédito vencido, ou seja, 77,9%. (...)


(Leia o artigo integral na edição 569 do Expansão, de sexta-feira, dia 10 de Abril de 2020, em papel ou na versão digital disponível aqui)

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