"Tivemos que adequar substancialmente a nossa estratégia de investimentos"

"Tivemos que adequar substancialmente a nossa estratégia de investimentos"
Foto: D.R.

A Total, empresa responsável por quase metade da produção petrolífera no País, admite o adiamento de projectos devido à Covid-19, embora o director geral, Olivier Jouny, assegure que a produção vai continuar mesmo que de forma condicionada numa altura em que o sector acerta estratégias.

De que modo esta pandemia está a afectar os objectivos da Total no País?
Gostaria de referir, que apesar do contexto actual, os Blocos 17 e 32 têm obtido resultados extraordinários, e as nossas equipas tiveram cerca de 100% de eficiência operacional durante o mês de Março, com excelente desempenho em termos de higiene, segurança e ambiente. Recentemente alcançámos metas das quais nos orgulhamos, como foi o caso do 1.º aniversário do início da produção do FPSO Kaombo Sul do Bloco 32. Temos que realçar que a cultura de segurança está cada vez mais presente, e este é o nosso objectivo primordial: garantir a saúde e a segurança de todas as pessoas que trabalham para a Total.

Tem havido colaboração com o sector a nível nacional?
A colaboração com as autoridades angolanas, a todos os níveis, bem como com a indústria petrolífera no País, é muito estreita, de modo a assegurar uma gestão comum e eficaz da situação, tendo em conta a importância do sector para a economia angolana. Neste sentido, continuamos a produzir, em particular, graças a uma taxa de angolanização elevada da nossa força de trabalho, garantindo a integridade das instalações, e assegurando que as operações petrolíferas são feitas no respeito das nossas regras. O lema das equipas da Total Angola desde o início desta crise é: flexibilidade, responsabilidade e solidariedade.

Quais são as suas perspectivas em relação à evolução do preço do petróleo no mercado?
A volatilidade do preço do petróleo é algo com que lidamos desde sempre, e sobre o qual não temos controle. A Total tem consciência desse factor, e do nosso lado precisamos de trabalhar na redução dos custos técnicos e de produção, no sentido de poder fazer face às constantes alterações do preço do nosso produto. Quando decidimos investir no desenvolvimento do campo Girassol, em 1996, o barril estava em torno dos 20 dólares, e depois disso já houve altos e baixos, o que é uma constante neste negócio de alto risco. Após a crise registada em 2014, implementámos um processo de redução de custos ao nível do Grupo Total, que nos permitiu adequar os nossos investimentos para contextos menos favoráveis.

Os cortes agora aprovados pela OPEP são suficientes para estabilizar o mercado?
A indústria petrolífera ao nível mundial está a passar por um choque sem precedentes. A procura de petróleo, que normalmente é de cerca de 100 milhões de barris por dia, caiu cerca de 25%. Face a esta situação, 20 países exportadores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia, concordaram em reduzir a produção, numa escala sem precedentes e na tentativa de equilibrar o mercado, em quase 10 milhões de barris de petróleo por dia de Maio a Junho e depois 8 milhões de barris por dia até ao fim do ano. A incerteza que pesa sobre a recuperação da economia mundial após o período de contenção, vai certamente manter uma forte pressão no mercado de petróleo, que permanecerá excedentário a curto prazo.

Acredita em uma recuperação ainda este ano?
É prematuro podermos fazer projecções nesta altura, pois ainda se regista um crescimento global da pandemia com o epicentro numa das maiores economias mundiais, o que coloca muitas incertez3as. No entanto, estamos a trabalhar para garantir a manutenção das operações e da produção, e vamos seguindo o evoluir da situação.

Para a Total e Angola qual seria o preço ideal?
Os preços do petróleo e gás caíram substancialmente e permanecem voláteis. Ao nosso nível, não podemos controlá-los, por isso a Total busca a excelência em todas as áreas que pode controlar, reduzindo o seu ponto de equilíbrio por meio de um controle rigoroso dos custos operacionais e da arbitragem da carteira de projectos de investimento a curto prazo. Isso permite- nos ser resilientes num ambiente de baixo preço.

Angola tem tido dificuldades em atingir a sua cota prevista pela OPEP. Quais são os constrangimentos?
O sector petrolífero em Angola passou por grandes reformas entre 2018-2019. Estas reformas estruturantes, abriram caminho para a retomada do crescimento da produção em 2020. A Total, como operadora líder do País, está comprometida em participar desse esforço junto da Sonangol. A eficiência operacional das equipas tem sido excepcional em 2020 em todos os nossos blocos operados. A produção do país durante o primeiro trimestre de 2020 foi de cerca de 1.400 mil barris de petróleo por dia e a petrolífera nacional está actualmente a avaliar as consequências relativamente ao acordo recente da OPEP+. Relativamente a este assunto, a Total cumprirá com as orientações determinadas pelas autoridades.

Neste cenário de queda de preço, há condições para se continuar apostar no pré-sal em Angola?
As decisões de investimento são feitas em função do contexto actual, mas com uma visão de futuro, e foi nesta base que a Total assinou recentemente um acordo para comprar um interesse participativo à Sonangol nos Blocos 20 e 21 localizados na Bacia do Kwanza e onde foram feitas descobertas de petróleo no pré-sal. Após a conclusão das condições previstas neste acordo, a Total será operadora dos dois blocos, e pretendemos dar início às actividades de avaliação, com o objectivo de termos um desenvolvimento para começar a produzir petróleo dentro dos próximos 4-5 anos, passando a Total a ser pioneira na produção de petróleo dos reservatórios do pré-sal do offshore da Bacia do Kwanza. (...)

(Leia o artigo integral na edição 571 do Expansão, de sexta-feira, dia 24 de Abril de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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