Crise na aviação ameaça 2 milhões de empregos em África

Crise na aviação ameaça 2 milhões de empregos em África
Foto: D.R.

Com uma previsão de quebra de receita na venda de bilhetes na ordem dos 6 mil milhões USD, em 2020, a crise na aviação comercial põe em causa dois milhões de empregos em África. As restrições nas viagens internacionais ameaçam uma indústria que, em 2019, contribuiu com 56 mil milhões USD para o PIB africano.

As restrições de viagens estão a montar um cenário de tragédia na aviação comercial, sem paralelo na história, com a previsão de quebra de receita das companhias aéreas de 314 mil milhões USD a ameaçar a viabilidade de 25 milhões de empregos em todo o mundo, dois milhões dos quais em África.

"A situação económica da indústria da aviação é grave. O número de passageiros caiu 80%. As companhias aéreas estão a enfrentar uma crise de liquidez que ameaça a viabilidade de 25 milhões de empregos, directa e indirectamente", afirmam a IATA e a Federação Internacional dos Trabalhadores de Transportes aéreos, numa declaração conjunta, de 20 de Abril, onde as duas organizações alegam que a aviação comercial enfrenta o "período mais crítico" da sua história.

Em África está em causa uma indústria, que suporta 6,2 milhões de postos de trabalho e contribui com 56 mil milhões USD para o Produto Interno Bruto, o que leva Muhammad Al Bakri, vice-presidente regional da IATA para a África e o Oriente Médio, a dizer que "o fracasso do sector não é uma opção". A previsão de quebra de receita das companhias aéreas da região, na venda de bilhetes, é estimada em 6 mil milhões USD, em comparação com 2019, com a descida de 51% no tráfego aéreo.

As duas organizações pedem aos governos "apoio financeiro e regulatório imediato às companhias aéreas, a fim de manter a sustentabilidade" dos postos de trabalho e para ajudar o sector a "reiniciar rapidamente actividade, adaptando as regulamentações e levantando as restrições de viagem de maneira previsível e eficiente".

Em muitos países europeus, como Alemanha, Itália e Portugal, os governos já ponderam a nacionalização de companhias aéreas para manter a operação no ar. Na África Subsaariana alguns governos já se mobilizaram para salvar as suas companhias aéreas, como aponta a IATA. O Senegal anunciou 128 milhões em alívio para o sector do turismo e transporte aéreo. As Seychelles renunciaram a todas as taxas de desembarque e estacionamento, de Abril a Dezembro de 2020.

A Costa do Marfim renunciou ao Imposto de Turismo para passageiros em trânsito. E África do Sul adiou o pagamento de impostos sobre salários, renda e carbono em todos os sectores, apesar de ter recusado financiar um resgate de 527 milhões USD para salvar a South Africa Airways, que está em processo de liquidação, prevendo-se que dê lugar a uma nova companhia aérea.

Neste contexto de crise, a IATA (que representa 290 companhias aéreas, que compõem 82% do tráfego aéreo global) salienta a necessidade de os governos incluírem a aviação em "pacotes de estabilização", notando que as "companhias aéreas estão no centro de uma cadeia de valor que suporta cerca de 65,5 milhões de empregos em todo o mundo". Ou seja, um dos 2,7 milhões de empregos em companhias aéreas suporta mais 24 empregos na economia, o que atesta a importância do sector. (...)

(Leia o artigo integral na edição 572 do Expansão, de sexta-feira, dia 1 de Maio de 2020, em papel ou na versão digital disponível aqui)

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