Fim dos subsídios pode estimular novos investimentos em Angola

Fim dos subsídios pode estimular novos investimentos em Angola
Foto: D.R.

O CEO da Pumangol, Ivanilson Machado, fala sobre os desafios na área de downstream, explica que quer proteger a quota de 33% na distribuição de derivados de petróleo e diz que o acordo com a Sonangol para utilização do seu terminal de armazenamento de combustível em Luanda vai permitir poupanças ao País, enquanto cria uma reserva estratégica de combustíveis. Sobre a actual crise, diz que é tempo para reinventar a economia angolana.

A Pumangol é o segundo player no sector de dowstream, ou seja nas actividades de armazenamento, distribuição e comercialização dos derivados do petróleo. Como caracteriza este mercado em Angola?
A Pumangol é uma empresa com quatro áreas de negócio, todas centradas no armazenamento, distribuição e comercialização de combustível, lubrificantes, betumes e emulsões betuminosas. Embora a área mais visível da nossa actividade seja a comercialização e distribuição de combustíveis, ou seja, o retalho a nossa presença física em Angola remonta a 2006 com o início das actividades da Angobetumes.

Mas qual a vossa quota de Mercado?
A nível da comercialização e distribuição de derivados de petróleo e venda a retalho, entrámos no mercado angolano em 2010, altura em que construímos o primeiro posto de abastecimento. Hoje contamos com 79 Postos de abastecimento construídos de raiz, estrategicamente situados nas 18 províncias de Angola e detemos uma quota de mercado acima de 33%.

Qual o principal impacto do vosso surgimento na área de downstream em Angola?
A entrada da Pumangol, provocou uma verdadeira revolução no sector. O impacto dessa entrada fez-se sentir a todos os operadores já existentes no mercado Angolano e um dos resultados gerais observados foi a maior disponibilidade de produto e o fim das longas filas de espera no abastecimento de combustíveis, resgatando a boa imagem e a reputação de um país produtor petrolífero.

Qual o vosso volume de negócios e quais as vossas perspectivas para o médio prazo?
O volume de negócios da Pumangol ascende os mais de AOA 200 Biliões de Kuanzas por ano e temos como objectivo para os próximos 3-5 anos, continuar a consolidar a nossa posição no mercado, aumentar a rede de postos de abastecimentos e introduzir novos serviços, no intuito de continuar a crescer num mercado cada vez mais competitivo e que assiste à entrada de novos concorrentes, factores necessários e importantes para enrobustecer o sector e a economia angolana.

O Sector Petrolífero foi alvo de reestruturação. Que impacto teve a reestruturação para as empresas que actuam na área de downstream?
A restruturação do sector petrolífero concretizada no ano passado com o surgimento do IRDP, a nova entidade reguladora do sector do downstream em Angola, veio reforçar o processo de liberalização gradual do mercado de distribuição e permitiu a introdução de novas leis e regulamentação. Foi aprovada a lei de liberalização do mercado do downstream e quando a mesma for completamente regulamentada espera- -se um mercado mais atractivo, transparente e o consequente melhoramento na oferta de bens e produtos mais competitivos para os consumidores.

A nível do armazenamento ficamos a saber que chegaram a um acordo com a Sonangol. Qual a capacidade do vosso terminal?
A Pumangol efectuou investimentos em terminais de combustíveis em 5 províncias do país. O terminal de combustíveis de Luanda, TCPL de forma abreviada, depois da sua ampliação, tornou-se no maior e mais moderno terminal da empresa. A infraestrutura tem uma capacidade aproximada de 300.000m3 e todas as condições logísticas necessárias para realizar operações de descarga e carregamentos com eficiência e segurança, este acordo permite também a criação de uma reserva estratégica de armazenagem para o país.

Quanto terá de pagar a Sonangol para utilizar este terminal e porque razão se diz que o acordo permitirá ao país poupar dinheiro?
As duas empresas identificaram interesses comuns que permitirão a Sonangol utilizar as potencialidades do TCPL enquanto continua empenhada para a conclusão do seu terminal da Barra do Dande. Os termos do acordo são confidenciais bem como os custos do investimento do TCPL são informação comercial classificada.

Presume-se que o país vai poupar dinheiro porque o armazenamento de combustível no mar é mais caro que num terminal em terra certo?
Em todo o acordo ocorrem benefícios mútuos na medida em que vai ao encontro de um anseio premente do Sector na perspectiva de melhor suprir as necessidades de combustíveis, bem como representa o reforço da cooperação entre as duas empresas. Antes do acordo houveram ocasiões em que a Sonangol fez uso de Terminal de combustíveis de Luanda porém só no âmbito desse acordo a utilização passará a ser feita de forma sistemática e dentro dos termos da duração do referido contrato. (...)


(Leia o artigo integral na edição 572 do Expansão, de sexta-feira, dia 1 de Maio de 2020, em papel ou na versão digital disponível aqui)

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i