E se sobrevivermos?

E se sobrevivermos?
Foto: D.R.

O processo de fisioterapia institucional não pode e nem vai fazer da gestão, que já o era. Vai, sim, transformar, reinventar, reeducar e requalificar os processos de gestão de recursos humanos em Angola, alinhada à flexibilidade, à autonomia e à responsabilização individual de cada colaborador.

Anualmente, mais de 15 milhões de pessoas sofrem com o Acidente Vascular Cerebral (AVC) que leva ao rompimento ou entupimento de um vaso sanguíneo que deveria chegar aos neurónios. É uma doença que leva à morte de, pelo menos, um terço das vítimas e dos sobreviventes, nem metade consegue recuperar totalmente. Pior que isto é que se há uns anos esta doença só escolhia os idosos com outras enfermidades associadas, actualmente, o AVC ataca em qualquer idade e em qualquer circunstância.

Os RH olham para a actual pandemia como as fases de uma fisioterapia após um AVC, na medida em que, se a empresa não declarou falência, então, importante será criar uma estratégia de sobrevivência e superação. Tal como o AVC, a pandemia chegou sem aviso prévio, não dando oportunidade de conferir alguma preparação às instituições. Contudo, não é de bom-tom chorar pelo leite derramado, mas valida-se a ideia de vender lenços para quem chora, ou fazer limonadas com mel de limões amargos.

Assim, analisamos as fases da fisioterapia das empresas vítimas de um inimigo invisível com recurso aos conceitos médicos:

1.ª fase - Estágio flácido: é a fase da persistência da hipotonia, em que se pretende travar as complicações da paralisia, como alterações sensoriais, de motricidade, cognição (memória de actividades simples), comunicação e emocionais, tornando o paciente incapacitado. Em RH, um facto real é que nesta fase, em média, 30% das empresas não suportam crises desta natureza, tal como muitas pessoas vítimas de AVC perecem ainda neste estágio.

Por outro lado, é necessário agir com rapidez nas acções e redesenhar o capital humano das empresas, o que de forma geral tem sido feito: teletrabalho, videoconferências, distanciamento social entre colegas e clientes. Este trabalho à distância é um fenómeno que, em Angola, tem vindo a ganhar bastante atenção e preparamo-nos para ser uma metodologia de trabalho cada vez mais reconhecida pelas leis laborais e comportamentos administrativos.

Mais ainda, nesta fase, todos os colaboradores, da base ao topo, estão em igual posição, já que qualquer um pode sofrer consequências graves, na medida em que todos devem despir- se de burocracias, da síndrome de chefias e das soberbas e na medida em que todos os colaboradores precisam trabalhar numa única direcção e até mesmo os chefes devem fazer serviços mínimos. (...)

*Gestora de recursos humanos e professora universitária

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i