Apoio dos mais ricos a África ainda não passou da "retórica"

Apoio dos mais ricos a África ainda não passou da "retórica"
Foto: D.R.

Enquanto um grupo de países e organizações tenta converter as dívidas soberanas em títulos de dívida, com maturidade mais longa e cupões mais baixos, o presidente em exercício da UA, Cyril Ramaphosa, defende uma moratória de dois anos no pagamento da dívida. Primeiro-ministro da Etiópia diz que um ano não chega.

Líderes mundiais prometerem 7,4 mil milhões de euros para apoiar as pesquisas que permitam descobrir uma vacina contra o novo coronavírus, durante uma conferência de doadores realizada no início do mês, pela União Europeia, mas, apesar do tema "Resposta global à Covid-19", os líderes africanos consideram que "pouco se avançou no que toca ao apoio prestado aos países pobres e em desenvolvimento por parte dos países mais ricos".

Isso mesmo afirmou o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, num artigo publicado antes da conferência de doadores, onde afirma que os "líderes da União Africana (UA) acolhem com satisfação os kits de testes, ventiladores e equipamentos de protecção individual que estão a ser oferecidos pelos países desenvolvidos". Mas "se quisermos inverter a maré contra a Covid-19, os países mais ricos do mundo devem escutar e responder aos apelos do mundo em desenvolvimento para uma estratégia abrangente que supere a dupla crise de saúde pública e económica" que enfrentam.

Abiy Ahmed não tem dúvidas e fez questão de o transmitir aos líderes mundiais que participaram na conferência de doadores, realizada com a ausência notada do Presidente dos EUA, Donald Trump, e a presença tímida da China, representada pelo seu embaixador na UE. "Até agora, tem havido uma enorme falta de ligação entre a retórica dos líderes dos países ricos" e o "apoio que parecem estar dispostos a dar aos países pobres e em desenvolvimento", escreveu o Nobel da Paz de 2019. Tanto que até ao final do mês de Abril, os "países africanos estavam a gastar mais em pagamentos de dívida do que em saúde".

Os governos de África subsaariana precisam de "um fluxo imediato de financiamentos para permitir o investimento em cuidados de saúde e redes de segurança social", defendeu o primeiro- ministro etíope, acrescentando que o "ponto de partida mais eficaz é o alívio das dívidas", mas que não se limite a um ano. (...)

(Leia o artigo integral na edição 574 do Expansão, de sexta-feira, dia 15 de Maio de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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