"A TAAG deverá perder cerca de 270 milhões USD relativamente ao orçamentado para o ano de 2020"

"A TAAG deverá perder cerca de 270 milhões USD relativamente ao orçamentado para o ano de 2020"
Foto: Quintiliano dos Santos

A TAAG tem a maioria das aeronaves em terra. Não vai fazer voos domésticos interprovinciais porque não tem uma segunda base operacional fora de Luanda. Os prejuízos são grandes e são precisas novas estratégias. No entanto, a data da privatização, 2022, não está em causa, assegura Rui Carreira.

A TAAG é, possivelmente, uma das empresas mais afectadas pelo estado de emergência ao fim destas sete semanas. Tal como acontece em todo o mundo, as companhias áreas têm de "inventar" soluções para se manterem activas até ao levantamento das restrições. Qual o impacto que está a ter esta pandemia nas contas da empresa?
Com o surgimento da pandemia foi decretado o estado de emergência, onde são restringidas algumas liberdades dos cidadãos. Neste caso concreto, a liberdade de mobilidade das pessoas foi bastante afectada, de maneira a prevenir a transmissão comunitária do novo coronavírus. Na sequência dos decretos presidenciais, o ministro dos Transportes aprovou o Decreto Executivo 129/20 e agora, mais recentemente, o Decreto Executivo 160/20, nos termos dos quais é regulada a actividade do sector durante este período.

Os decretos vieram restringir os voos.
Para o sub-sector da aviação civil são apenas autorizados voos de carga domésticos e internacionais, voos de passageiros de carácter humanitário, de emergência ou oficiais e ainda os voos de passageiros e carga para apoio das actividades petrolífera e mineira. É claro que, com estas restrições, há uma receita que deixa de ser realizada.

Em termos práticos, isso significa o quê para a empresa?
A TAAG regista o cancelamento médio de 35 voos por dia, representando uma média de 4.000 passageiros por dia. Consequentemente, todo o orçamento projectado para 2020 foi revisto, acrescido ao facto de estarmos ainda num clima de enormes incertezas decorrentes dos níveis de controlo da pandemia à escala mundial. Temos compromissos com fornecedores e prestadores de serviços de carácter intensivo que dificilmente serão honrados se não houver uma postura flexível por parte destes. E isto nem sempre é possível, pois a crise atinge todos os sectores da vida económica e social. Para uma empresa que vem de um passado de resultados financeiros reiteradamente negativos, esta crise veio inserir mais desafios numa equação que já era difícil de resolver, quer do ponto de vista do seu funcionamento, quer do ponto de vista dos investimentos projectados.

Existe um valor de perdas projectadas?
Sim. Tendo como pressuposto previsional a paralisação de três meses de operação, uma recuperação gradual com a redução em 65% da sua programação no momento da retoma e uma previsão de redução da procura em 55%, a TAAG estima perder 270 milhões USD em receita até ao fim do exercício económico, comparativamente ao orçamento de 2020 antes da crise.

A empresa precisa de apoio de tesouraria de curto prazo? De que dimensão?
Por altura da paralisação, a nossa tesouraria representava três meses de salários. Um mês e meio já passou e as operações de transporte de carga e voos humanitários que temos feito não são suficientes para fazer face a toda a estrutura de custos da empresa. Embora não haja custos operacionais variáveis, porque as aeronaves se encontram no chão, temos os custos de paralisação, os custos operacionais fixos e os custos de estrutura, aos quais temos de fazer face numa base diária. Acrescentamos a isto os planos de pagamento a fornecedores de material aeronáutico, que é feito totalmente em divisas. Portanto, a TAAG vai precisar de apoio à tesouraria de curto prazo para financiar as suas necessidades operativas correntes.

Os salários dos trabalhadores estão em causa?
Tudo estamos a fazer para que isso não aconteça, mas tudo vai depender do tempo que durar a crise e das características da retoma que, neste momento, ainda é incerta. A aderência inicial que poderá haver, está relacionada com os passageiros a repatriar. Mas são pessoas que já têm os seus bilhetes comprados e que ficaram retidas nos destinos fora das suas residências habituais. Esta receita já está "vendida", falta apenas ser "voada", utilizando a linguagem da contabilidade aeronáutica.

A retoma também não será de um dia para outro...
De acordo com os dados que temos, relativamente ao sector do ponto de vista internacional e mesmo local, perspectivamos um período de baixa procura, pelo impacto desta crise no rendimento das pessoas, bem como pelas medidas de restrição de mobilidade que se irão manter durante algum tempo, o que certamente afectará os níveis globais de receita. Diante deste cenário, assim como outras empresas de grande dimensão em Angola, teremos este desafio para gerir. Mas estamos a fazer tudo para cumprir com os nossos colaboradores.

Como estão as negociações com o Sindicato dos Pilotos?
As negociações com o Sindicato dos Pilotos têm decorrido de forma estável. A maioria dos pontos constantes do caderno reivindicativo já mereceu o acordo das partes, faltando muito pouco para a actualização do acordo laboral. Neste período de crise, existe uma moratória tácita nas negociações e sentimos com agrado uma atitude de elevada responsabilidade por parte de todos os sindicatos da empresa em compreender as preocupações do momento. (...)

(Leia a entrevista integral na edição 574 do Expansão, de sexta-feira, dia 15 de Maio de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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