"Os problemas são falta de liquidez, redução drástica da receita e encargos que são altíssimos"

"Os problemas são falta de liquidez, redução drástica da receita e encargos que são altíssimos"
Foto: Adjali Paulo

Beatriz Frank alerta para a onda de desemprego que está a crescer no sector, propondo um fundo com a garantia do Estado para ajudar os pequenos e médios empresários. Propõe também um perdão fiscal, o não pagamento de impostos e contribuições sociais até 1 de Setembro.

A União dos Pequenos e Médios Empresários está em fase de formalização legal, mas assume-se já como parceiro social, tendo sido recebida pelo Governo. Quais as motivações para a sua constituição?

Esta associação surge para defender os interesses dos pequenos e médios empresários, um sector que é muitas vezes esquecido, mas que é fundamental, uma vez que garante a oferta de bens que não se produzem no nosso País.

São empresas de que áreas?

Nós temos empresas do sector da educação, vestuário e calçado, pescas, rent-a-car, saúde, limpeza, uma série de organizações ligadas à prestação de bens e serviços que apoiam a sociedade e que foram bastante penalizadas nestes dois meses de Estado de Emergência.

A criação da União já foi formalizada ou ainda é um ajuntamento de empresas que se revêm num mesmo problema?

Esta União nasceu de um vídeo que eu fiz nas redes sociais, onde apelava à resolução das dificuldades por que estávamos a passar. Já estávamos há um mês em casa com os nossos estabelecimentos fechados e tínhamos de pagar aos nossos funcionários. Um mês sem receita para estes pequenos negócios é muito importante e estávamos sem capacidade de aguentar esta situação durante muito mais tempo.


A ideia era alertar o Governo para estes negócios?

Claro! Eu estava a ver o mundo inteiro a desenvolver políticas para apoiar as empresas e aqui criou-se apenas um pacote de "alívio económico" para as empresas ligadas à agricultura, agro-alimentar e pescas, e nós, de bens e serviços, ficámos de fora. Daí ter feito esse vídeo que coloquei nas redes sociais, onde deixei o meu contacto e os empresários começaram a ligar. Foi assim que começámos. Estamos
há cerca de dois meses nisto, fizemos reuniões online, eu pessoalmente tentei pedir às empresas que não despedissem os seus trabalhadores, havia algumas que já tinham os processos a correr, com a mensagem que se estivéssemos juntos, possivelmente, íamos conseguir por parte do Governo apoios para manter a nossa actividade.

O desemprego foi uma motivação para iniciar este movimento?

Há empresas com 100 empregados que despediram 40, outras que fecharam a actividade, pequenas lojas que não conseguiam pagar os salários desde Março e, neste sentido, a situação das pessoas, foi sim uma motivação. Ainda na recente entrevista que tivemos com o ministro expliquei que todos os dias se perdem empregos neste sector e que, se não houver medidas rápidas, a situação pode tornar-se mais complicada.

(Leia o artigo integral na edição 579 do Expansão, de sexta-feira, dia 19 de Junho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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