Desafios do desconfinamento

Desafios do desconfinamento
Foto: D.R.

Muitas empresas perceberam que estavam mal estruturadas em termos de processo produtivo e de oferta de bens ou serviços. A forma tradicional como estavam habituadas a trabalhar alterou-se de repente pela conjuntura externa, mas trouxe também novos desafios. Afinal, pode ser-se mais eficaz nas rotinas diárias...

O regresso dos trabalhadores que estavam em casa às empresas lança novos desafios à organização e à hierarquia. Como as ausências foram transversais e afectaram todos os departamentos, apesar de algumas limitações que a própria lei impunha, durante mais de dois meses, as empresas funcionaram de forma alternativa relativamente ao processo produtivo normal. Em muitos casos, os trabalhadores que ficaram assumiram várias funções, passaram a ter mais responsabilidades e, chegada esta altura, serão esvaziados de algumas rotinas. Isto causa sempre alguma tensão entre o colaborador que volta e aquele que assegurava a sua função, pelo que as chefias terão de ser claras na definição do organigrama que está em vigor.

Recolocar as pessoas nas suas funções ou dar-lhes outras, de acordo com os "ensinamentos" deste período de quarentena, deverá obedecer nesta fase a uma clara comunicação por parte das chefias. Um exemplo prático para que todos possam entender. Um trabalhador que recebia os pedidos dos clientes (via telefone ou da informação dos vendedores) passou também a fazer as notas de encomenda, a seleccioná-las e a encaminhar os pedidos para a produção, uma vez que a pessoa que fazia esta tarefa estava em quarentena domiciliar. Apesar de menos solicitações, a verdade é que assumiu esta função com eficácia durante mais de dois meses. Quando o trabalhador que fazia esta tarefa regressa, a decisão tem de ser rápida por parte da administração - ou volta tudo ao normal (o que cria frustração no colaborador que ficou a assegurar a tarefa), ou não faz nada e deixa que os próprios trabalhadores se adaptem (e mais cedo ou mais tarde tem um problema entre os dois).E este exemplo é extensivo ao pessoal administrativo (finanças e contabilidade), ao sector da logística de apoio (limpeza e motoristas) e mesmo à gestão (chefias de departamentos).

O retorno dos trabalhadores que estavam em casa tem outro desafio, tendo em vista que na realidade angolana só uma percentagem muito pequena esteve em teletrabalho e a grande maioria dos que estiveram ausentes não teve qualquer contacto com a actividade das empresas. Estamos a falar da falta de informação, ficaram de fora em muitos dossiers, da percepção de que são dispensáveis, afinal a empresa também funciona com metade dos seus trabalhadores, e com a pressão económica (menos negócios na maioria dos casos), da necessidade de cortar nos custos de pessoal. Embora esta seja uma análise que tenha de ser feita caso a caso, muitas organizações perceberam neste período de estado de emergência que precisam de fazer uma reestruturação do seu quadro de pessoal.

*Gestor de Recursos Humanos

(Leia o artigo integral na edição 580 do Expansão, de sexta-feira, dia 26 de Junho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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