O momento para um novo BPC enquanto é um banco bom

O momento para um novo BPC enquanto é um banco bom
Foto: D.R.

Mudar-lhe-ia aquele rótulo que lhe estão a atribuir de forma pejorativa: "Banco mau". Não. À Recredit! Esta "carapuça" serve à Recredit, para isso foi criada. Ao analisarmos o caso BPC, é importante mergulharmos em vários processos que ocorreram durante o percurso, confundidos mesmo com os do País, Angola.

Devemos analisar, vendo a floresta no seu todo e não somente a árvore, BPC, cuja estrutura accionista era repartida em 99% Minfin e 1% INSS, reconhece-se o poder acentuado do Estado.

O BPC, de matriz angolana, sem extensões no exterior do País que dessem a veleidade também de ostentar o sufixo de; v.g. banco... Europa ou banco... Internacional, sempre galgou com prestigiados correspondentes, da qual tinha conforto na realização das suas operações com o estrangeiro, como um dos melhores na nossa praça, operações especiais mormente em créditos documentários, etc..

Aliás, o BPC sempre se mostrou exigente e transparente para com os seus clientes e isto, muitas vezes, afastava-os, preferindo o facilitismo, que menos exigiam em matéria de due diligence (DD), facto que já era praticado junto dos correspondentes. O BPC tem branches criadas, e participações, noutros ramos de actividade, como em seguradora, correctora, imobiliária e fundo de pensões. Então, aguardemos por uma transformação de facto na sua estratégia, onde o banco deverá reinventar-se face aos novos desafios, durante e pós Covid-19, por este novo normal.

Há uma pergunta que não se quer calar: E se fosse o BPC a ser resgatado em vez do BESA, isto é, em 2016 período que coincide com o início do prejuízo no seu resultado? O atraso e a fraca capitalização são madrastas neste processo, que muitos hoje querem pegar, se por motivações políticas, não sei! Mas, que seja pela transparência! E não por interesses difusos! Quão dócil é a transparência. Convenhamos que nem todos têm acesso ao mesmo volume de informação, até porque o poder não pode ficar na rua. Que se deixe dedisparar no dark. Trabalhemos enquanto é dia.

O processo de recapitalização e reestruturação do banco, de facto custará aos cofres do estado até à sua conclusão, isto é,em 2023, cerca de 1,0 biliões de Kwanzas, prevendo que os lucros só comecem a entrar em 2021, embora um pouco duvidoso, admitindo uma derrapagem nos prazos, devido à pandemia da Covid-19. Factor de força maior, que afecta o sector financeiro bancário e não bancário a nível global, onde assistimos a casos de bailout e que não devemos ficar à margem de tão lógico procedimento, independentemente do tipo de economia, se centralizada ou liberal.

Neste período, vão ocorrer novas injecções de capital, tanto em títulos como em dinheirofresco, bem como à transferência do crédito malparado para a Recredit; tem alterada já a sua estrutura accionista com a entrada do IGAPE, que fica com 37,3%, o Minfin com 53,3%, o INSS 5,6%, e a CSSF 3,7%. Dos objectivos propostos, que são quatro, destaco a optimização dos custos e o sistema de controlo interno, sem descurar a sua transformação estratégica, por exemplo, em torná-lo mais pequeno (downsizing) e despi-lo do mito "too big to fail".

*Economista e docente universitário

(Leia o artigo integral na edição 580 do Expansão, de sexta-feira, dia 26 de Junho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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